No ar…

Obviamente já devo ter dito isto aqui. Mas uma vez estava lendo uma entrevista do Matrin Lee Gore, compositor do Depeche Mode, onde ele dizia pegar as melodias de suas composições no ar. Anos mais tarde, em uma entrevista na TV, ouvi a mesma coisa de Keith Richards. Com suas mãos calosas, o lendário guitarrista da banda da boca com língua pra fora, gesticulava e dizia que todas as canções já foram tocadas e cantadas. Bastava captar no ar uma dessas melodias e fazer dela sua, que fosse por um período.

E mais uma vez não quero nem vou me comparar à estes dois sujeitos. Mas confesso pensar da mesma forma. E além. Longe de ser plágio, sempre que ouço uma melodia, consigo ouvir outras melodias por baixo da cama de sons. No meio de um solo ou de uns acordes, sempre existe uma melodia querendo sair, uma que não foi tocada, pensada, captada.

Esta canção do Daft Punk, duo de que gosto e admiro muito, é quase um interlúdio. Mas de uma beleza tamanha inversamente proporcional à sua duração.

Sempre que a ouço, repetidas vezes, quase em transe, imagino várias e várias dessas melodias que ficam subentendidas.

Ontem a noite, trabalhando em outra coisa, ouvindo Nightivision, não resisti. Liguei o synth, o LIVE (programa de edição de audio), fiz uma pequena percussão, uma base e criei esta pequena e humilde homenagem, um singelo solo que permeia a melodia. Tinham várias outras. Mas a que captei foi esta.

“Ainda há tempo para ecoar”.

A free interpretation of the beautiful song Nightvision, Daft Punk. My homage.

Exceto quando acontece com você

Algumas coisas você só percebe quando acontecem com você. Como quando você compra um carro numa cor exótica e acaba vendo um da mesma cor a cada esquina. E ainda pensa, puxa como não tinha notado tantos antes? Exemplo idiota mas que ilustra bem.

Esta música do Neil Diamond, que devo ter ouvido várias e várias vezes de tabela na infância, é muito apropriada para o momento. Mesmo não importando muito o ponto de vista de quem escuta ou de quem sofre algo pela primeira vez. Agora é a vez.

Front Page Story

She wakes up
She’s leaving
She sets out so assured
That she can find
The life that she believes in

She’s glad now
It’s over
She never should of gotten so involved
At least that’s what she told him

And it’ ain’t a Front Page Story
Won’t even make the papers
Somebody breaks a heart in two
And it happens much too often
Won’t ever make the headlines
Somebody’s broken heart ain’t new
Except when it happens to you

He wonders
What happened
He thinks of all the things
He might have done
Why shouldn’t she believe him

He wakes up without her
And never really knows
Just what went wrong
But it’s all wrong without her

And it ain’t a Front Page Story
Won’t even make the papers
Somebody breaks a heart in two
And it happens much too often
Won’t ever make the headlines
Another broken heart ain’t new
Except when it happens to you

It ain’t a Front Page Story
Won’t even make the papers
Somebody breaks a heart in two
And it happens much too often
Won’t ever make the headlines
Somebody’s broken heart ain’t new
Except when it happens to you
No no no

Won’t make the headlines
Somebody breaks a heart in two

No no no
Oh no no

Somebody’s broken heart ain’t news
Except when it happens to you

No no no
Won’t make the headlines
Somebody breaks a heart in two

No no no
Oh no no
Somebody’s broken heart ain’t news

Conan

Neste post pretendo ser rápido. Com tantas coisas sérias ao nosso redor, parece uma grande besteira vir postar aqui em protesto de algo que gosto, de uma história de fantasia. Mas como a frase do alemão e grande contador de histórias, Michael Ende que sempre utilizo “Afinal, é apenas isso que procuramos, envolver poesia nas nossas vidas, encontrar poesia na própria vida.” mostra, o que seria da vida sem fantasia?

Nossa válvula de escape. Se faz mais que necessária atualmente.

Voltando ao tema do Gigante de Bronze. E a começar pelo jargão do quadrinho, o nosso amigo Jason Momoa, que é bem legam em Game Of Thrones, não chega nem perto do apelido. E nem perto do primeiro Conan, Arnold Schwarzenegger. Todos fazem piadas sobre o primeiro Conan. Mas a abordagem da história, do personagem, da própria Era Hiboriana, de Robert E. Howard é muito fiel aos quadrinhos tão bem desenhados de John Buscema. E convenhamos, estamos numa era diferente da era do cinema de Cecil B. Demile. A falta de efeitos baratos do filme atual fez o Conan de 1980 parecer o Conan dos Quadrinhos mesmo. Real, sujo, medieval, Hiboriano, humano.

Quando assisti ao trailler do novo filme já fiquei desanimado. Desde o início, do patético nascimento no meio de uma batalha ao treinamento “sacado” e genérico dos meninos guerreiros. Horrível!

Poderia me delongar por horas a fio sobre a rica e espetacular fantasia criada por Robert. E toda a pobreza e falta de compromisso com o filme atual. Mas isso não faz nenhum sentido.

Crom! Tenha piedade de suas almas!

Manutenção

Este blog começou quando descobri que a Locaweb disponibilizava este serviço com meu URL personalizado. Antes era http://blog.stemamo.com. E era um serviço “linkado” ao WordPress.

Depois de alguns anos a Locaweb descontinuou este serviço. Recebi um aviso para migrar meu blog para um servidor WordPress, para não perder meus dados, posts etc. Tentei isso por vezes e não deu certo. Como já era usuário do WP, tinha um URL guardado com meu nome, stemamo. Falei com alguns amigos que entendem muito de programação mas também não conseguiram me ajudar.

Só me restou fazer do jeito mais difícil. Colei todos os posts numa página do Pages, programa correspondente ao Word da Apple, e passei tudo, post por post, para cá. Ao fazer isso perdi todos os comentários, tags e imagens. Começou tudo do zero.

Uma pena. Mas pelo menos consegui mater o blog com seus posts originais.

A justificativa da Locaweb faz sentido. Obviamente que eles não estavam conseguindo se atualizar com os blogs na mesma velocidade e capacidade do WordPress. Por isso deixaram isso de lado. Agora o blog tem mais recursos. Posso até fazer posts pelo celular. E também um novo template, mais clean e atual.

Agora sim, até a próxima!

“Vô José”

Hoje fiz um pequeno texto para apresentar os quadros do meu irmão aos amigos do facebook. E pensei em postar um pouco desta história.

Para falar dos quadros do Binho, que se chama Ruben, tenho que falar mais uma vez aqui do nosso avô José Maglovsky. Este era o pintor da família. Tinha uma técnica apurada. Belas pinceladas, as vezes fortes, mas quase sempre suaves. Era um amante de belas paisagens. Praticamente todos os seus quadros representavam marinas, bosques, casas antigas em encostas, montanhas, serras, luares, lagos, algumas flores, alpes, jardins. Uma espécie de Tom Jobim da imagem.

Ela era muito bom nisso. Engraçado é que ele não gostava de encomendas. Uma vez um amigo pediu um quadro do Rio de Janeiro, aquele cenário clássico do Pão de Açucar. Ele sofreu pra fazer. Protelou enquanto pôde. Mas acabou fazendo e ficou bom. Era um mestre nisso. Eu sempre que ia na casa deles, os avós, subia no atelier pela escada caracol para bisbilhotar qual a nova empreitada do “Vô José”. Sempre havia algo novo. Uma vez um conhecido que tinha um veleiro encomendou um quadro enorme do lindo barco a velas para colocar dentro dele. Ficou lindo. Fiquei impressionado com a capacidade de representar tão bem.

Eu gosto muito dos quadros do José Maglovsky. Mas ele tinha algumas gravuras, ilustrações feitas com nanquim, da época da Belas Artes que eram maravilhosas. Gostaria de saber onde foi parar isso.

Em 1997 tivemos algumas aulas com ele. Pintamos o mesmo modelo. Uma paisagem de neve. Neve é considerado um dos temas mais difíceis de se pintar. Mas até que saiu, com uma ajudinha ou outra. Nesta época das aulas de pintura já dava pra notar, a quem fosse mais atento, que o Binho tinha captado melhor a técnica, tinha mais dom para isso. Eu gostava de lápis, canetas, nanquim. Não conseguia detalhar nada com pincel, nunca consegui entender muito bem essa arte.

Como sou teimoso, há menos de 3 anos, um pouco antes de me mudar em definitivo para morar com a Gabi, minha mulher, resolvi tentar mais um pouco nessa arte. Estava cansado da reforma do apartamento, de esperar, de fazer as mesmas coisas e resolvi. De ímpeto, fui numa loja de artes em BH e comprei cavalete, um monte de tintas da melhor marca, alguns pincéis bons, outros já possuía, e algumas espátulas. Eu achava que não era bom no pincel mas que na espátula iria me dar bem. O “Vô José” tinha quadros maravilhosos de espátulas. E meu amigo Dominique também. Achei que seria fácil. Henry Miler, meu escritor favorito, pintava. Dizia que eram horríveis. Mas pintava! Comprei apenas uma tela. Seria aquela ou nenhuma.

Com todo aquele aparato em casa, no meu quarto, tudo pronto, comecei a pensar num motivo, num tema. Não vinha nada. Tentei fazer faixas coloridas, influenciado pela comunidade Color Lovers. Ficou terrível. Cores feias, tudo sujo. Foram várias tentativas de pintar essas faixas, mais de uma semana. Desisti de vez. No site é muito mais fácil e rápido. E não tem que ficar lavando o pincel. Um dia à noite, cansado, estava revendo o filme O Último Samurai, aquele com o Tom Cruise. Sou fascinado por mitologia, história, principalmente pela era de ferro e da espada. Neste filme, que conta o fim dos verdadeiros samurais, tem alguns cenários lindos. Fiquei olhando aquelas paisagens e imaginando que aquele Japão de final de inverno daria uma excelente imagem. Um excelente quadro. Dei pausa no frame desejado para a inspiração e lá se foram mais tentativas frustradas em mais uma semana inteira.

Lavei e separei tudo, pintei a tela de branco. No dia seguinte perguntei se o Binho queria o material, pois sempre soubemos que ele tinha mais facilidade com aquilo tudo. Ele quis. E logo na primeira investida, naquela minha primeira tela, ele fez um belíssimo retrato. Um senhor que parecia muito nosso avô José Maglovsky. Deve ter sido insconsciente. Eu ohei aquelas cores, aquelas pinceladas, analisei bem e nem acreditei. Em um único dia, o DJ Binho tinha feito um belíssimo quadro. Fui presenteado com ele. Que ironia. Mas é claro que estou brincando. Foi uma ironia boa. Achei muito bonito e gostei muito de recebê-lo. O nome do quadro? “Vô José”

Para ver mais quadros do Ruben clique aqui.

Interview on Blur Designs

Em fevereiro deste ano, fui convidado por Frazer Wilson, da comunidade Blur Designs, para participar de uma entrevista. Esta seria sobre o meu trabalho gráfico para a minha banda, EnjoyLive. Tudo isto se deu depois do próprio Wilson ter me convidado para fazer parte do Blur, ao ver meus trabalhos no Bëhance. A capa do Synthmatic entrou para os trabalhos selecionados da comunidade. Abaixo a entrevista completa em português. No final do post, os links para a entrevista original no blog blur, a comunidade Blur Designs e minha página lá.

Fale-nos sobre a criação para o EnjoyLive.
A banda nasceu em Belo Horizonte, em agosto de 2000, logo que tinha chegado de São Paulo, na Escola de Design – UEMG, onde conheci o designer e músico Marcos Loureiro. Ou seja, querendo ou não, foi a junção de 2 designers na música. Acho que por isso e também pelo tipo de música que queríamos fazer, sempre tivemos muito cuidado com os conceitos visuais e com a estética da banda. As atividades de composição e letras estavam sempre recheadas desses conceitos. O nome que a banda teria, o tipo de logo, as cores que usaríamos, o estilo, direção de arte e fotografia, sempre pensamos no projeto como um todo. Passados estes momentos iniciais e as muitas mudanças que tivemos, começamos a compor e os discos a sair. O design das capas sempre esteve totalmente ligado ao momento que nós vivíamos com a banda. Além disso, ao participar da composição, arranjo, letras e finalização das músicas, sempre fiquei muito dentro de todo o processo, desde o começo das ideias até a masterização e arte dos projetos. Isso fez com que pudesse brincar com o tudo o que eu já sabia sobre os discos e sua história, não precisando de um briefing de um terceiro. O máximo que fazíamos era trocar algumas ideias sobre os conceitos que mais se aproximavam do disco na questão visual e, a partir daí, o trabalho se desenvolvia com muita facilidade. O som sempre foi eletrônico. Mas no começo era bem gótico. Tinha uma aura dark e isso foi influência para o design. Todos os projetos que desenvolvi para o Enjoy, desde o logo até as capas de CD, site, Twitter, Myspace e vídeos sempre estiveram inseridos no momento da banda. Por exemplo, no final de 2005 lançávamos o disco Synthmatic. Foi uma sequência de acontecimentos importantes que tiveram incidência direta nos resultados do que íamos fazer. Um membro da banda tinha saído de forma não amigável para ambos os lados. Tínhamos praticamente perdido um disco inteiro por isso. Tivemos que nos acertar e resolver como seria o novo som. Apenas 3 iriam fazer o que 4 faziam. No final do disco, na masterização, percebemos que tínhamos um disco nervoso, bem emotivo e que misturava tudo isso já com nosso som híbrido, pesado e de batidas dançantes. A capa do disco resume bem isso. Uma amálgama do símbolo do Enjoy (kpetão), que eu havia desenvolvido em 2004 para o lançamento do nosso primeiro site, unido às nossas faces. Virou uma ilustração sintética do que nós e o Enjoy éramos – Synthmatic. Depois disso a banda passou por mais mudanças e os conceitos gráficos sempre acompanharam tudo. Acho que o mais importante sobre o meu desgin para o Enjoy é justamente o que eu disse sobre o briefing e conceito. Eu já estou por dentro de tudo e assim fica muito mais fácil criar e ousar. Posso fazer praticamente o que quiser neste sentido pois, depois de passar muito tempo num projeto, participando de todas as etapas, é praticamente impossível não absorver o conteúdo e depois deixá-los transparecer nos resultados.

Se você tivesse que descrever seu estilo de design em 3 palavras?
Eclético, Meticuloso, Ousado (tive muita dificuldade em achar essas 3 palavras. Foi um bom exercício.)

Se você pudesse escolher seria músico ou designer?
As duas coisas tem muitas particularidades e similaridades. É preciso ser criativo, cuidadoso, pesquisador, organizado, conhecedor, talentoso, habilidoso e proativo. E nos dois é difícil provar que é algo que faz diferença e que se pode e deve ganhar dinheiro com eles. Acho que nunca conseguiria ter um sem o outro. Mas se fosse pra escolher realmente, seria músico. Gostaria de saber como seria viver apenas compondo e fazendo música, tocando por aí. Mas é claro, coitado do designer que fosse fazer minhas capas e artes, chegaria nele com um briefing bem meticuloso e o resultado teria que me surpreender e agradar, se não… Neste caso acho que o músico daria lugar ao desginer e vice-versa.

Você acha mais criativo fazer design para trabalhos impresso ou para web?
O projeto em si e sua vontade de desenvolvê-lo é que pode limitar ou soltar a criação. No caso dos trabalhos impressos, ficamos presos aos tipos de impressão, papel, formatos etc. Mas acho que é perfeitamente possível desenvolver trabalhos criativos, bons e diferentes nos impressos. Sem contar as coisas que se pode fazer com tecnologia hoje. Na web temos quase que os mesmos limites de formato, tela, velocidade, transimissão etc mas é algo intangível. Há coisas que você só pode fazer na web, dando uma sensação maior de liberdade e criatividade. Mas por incrível que pareça eu gosto muito dos impressos e de poder sentir e pegar nos resultados finais dos projetos com as mãos. Ver um logo que você criou impresso na etiqueta da camiseta, na fachada da loja, no carro, no cartão, na embalagem, na sacola, no site, é algo bem recompensador.

O Brazil será campeão da Copa do Mundo neste verão?
Bem, aqui no Brasil será inverno na época, assim como na sede da Copa do Mundo, a África do Sul (rs). Eu acho que as copas estão relacionadas a outras coisas que não só vencer pelo futebol em si. Eu não gosto do estilo do Dunga de comandar o time. Não tem cara de Brasil a que nos acostumamos ver, com um futebol leve, bonito e de toque de bola rápido e envolvente, como meu time, o Santos, vem jogando atualmente. Temos craques de bola mas o técnico preferiu se render ao estilo europeu de retranca e marcação forte, que definitivamente não é a nossa praia. Mas mesmo assim, acho que o Brasil é sim um forte candidato a campeão do mundo mais uma vez, até pelo talento individual dos jogadores. Acho também que outros países podem ter esse mérito. Pra mim, levando-se em conta o momento, Inglaterra, Espanha, Itália e Brasil são os fortes candidatos. Mas ainda bem que é uma Copa do Mundo de futebol e, como tudo no futebol, poderemos ter surpresas.

Se você tivesse que fazer uma pergunta para um designer numa entrevista, qual seria esta pergunta?
Será que ele escolheria outra profissão se pudesse voltar no tempo?

Post original da entrevista

Blog Blur Designs

Comunidade Blur Designs

Minha página no Blur Designs

Moto Trip – Part VIII – Final

De Trindade, Paraty – RJ para Campos do Jordão e SBC – SP

A manhã e o carreto

E o dia começava belo e ensolarado mas com uma tarefa nada fácil. Colocar a Drag e o “Kbeça” no caminhão guincho. Logo cedo, o motorista chegou na rua da pousada e, com alguma dificuldade, conseguiu fazer a volta no local estreito e nos chamar. O Felipe guiou a motocicleta até a carreta, que foi muito bem presa com todo o cuidado pelo motorista. Um senhor gente boa e brincalhão.

Depois de tudo pronto e algumas fotos do momento inesperado, o “Kbeça” se despediu da gente e subiu na boléia junto com o motorista. E foram embora para Sampa, deixar a motocicleta direto na oficina.

Quais caminhos?

Agora éramos só o Felipe e eu. Recolhemos as coisas, arrumamos nossa bagagem, tomamos um banho e fomos fechar a conta da pousada. Depois do ocorrido, até mesmo a mulher que nos tinha tratado com indiferença, resolveu ser solidária e puxar papo, desejar boa sorte pra nós e para o “Kbeça” e dar algumas dicas sobre a viagem de volta. No fim ela não era tão ruim, só meio mau humorada.

Nos arrumamos e depois de tudo pronto, em cima das motocicletas, resolvemos decidir se passaríamos por Campos ou não na saída de Ubatuba. Depois de pouco mais de meia hora chegamos à esta saída e tínhamos que decidir. O Felipe deixou claro: não quero decidir nada. Por onde você falar, nós vamos! Pensei que voltar pela Rio-Santos seria mais tranquilo. Já conhecia bem a estrada, os caminhos, cruzaríamos como “Kbeça” e o reboque e chegaríamos sem o trânsito pesado de São Paulo e São Bernardo, bem na hora do rush. E o melhor, não pegaríamos a Dutra. Mas embora já conhecesse a bela Campos do Jordão, o Felipe não tinha a mesma sorte. E o espírito aventureiro falou mais alto. Seria bom desbravar mais alguns quilômetros de serra e estradas desconhecidas e outras já conhecidas mas esquecidas. E foi o que decidimos! Entramos em Ubatuba, para dentro de um pequeno balneário. Paramos no posto para abastecer antes de subir a serra e pegar algumas dicas sobre o trecho que iríamos percorrer. Aproveitei para ligar para o “Kbeça” e avisar sobre nossa decisão. Ele já estava em Maresias.

Pegamos a pista dupla, de bom asfalto, que nos levaria para a serra. Subindo, chegaríamos até Taubaté e depois era só seguir para Campos. A estrada logo acabou e começou uma das serras mais íngrimes e com a maior quantidade de cotovelos que já vi e percorri. Tinha curva que fazíamos em primeira marcha. Ficamos imaginando a Drag naquele trecho. Que dificuldade seria. Igual a um caminhão, abrindo as curvas. Em poucos minutos estávamos bem acima do nível do mar. Aquele ar quente do litoral já havia nos abandonado mas o dia ainda estava quente. Incrível a mudança dos mundos. Quase que sem notar, passamos da paisagem do mar e da horizontalidade mais uma vez para o meio das serras. Lá de cima paramos para avistar o belo mar lá embaixo, imenso e infinito emendando com o céu. Demos continuidade e a estrada que percorríamos, com reservas naturais, parecia aqueles filmes canadenses que tem ursos e acampamentos. Saímos em Taubaté como previsto. Passamos por um trecho pela Dutra e entramos para Campos do Jordão. A pista que se segue para lá é muito boa e duplicada. O cenário é muito bonito e a estrada cheia de curvas, o que torna o passeio muito agradável e divertido para  nós motociclistas.

Campos do Jordão

Antes de adentrar de vez para Campos, a parada obrigatória, na vista chinesa. Mais uma vez ficamos pensando na bela mudança de cenários, tão brusca e diferente.

Depois foi só subir mais um pouco a estrada e chegamos à clássica entrada da cidade, com aquele visual colonial alemão.

O Felipe comentou que tinha saído da praia e entrado na Alemanha. Realmente é muito bonito e diferente. Logo de cara vimos a placa da Baden Baden e a seguimos. Infelizmente não podíamos beber nada alcóolico e não tínhamos espaço para levar nada além das nossas fotos de recordação. Mas valeu demais. Paramos para almoçar na Mercearia Campos. Comi um belíssimo prato de trutas com batata. O Felipe preferiu uma pasta com molho branco. Nesta hora resolvemos fazer a homenagem final à frase da viagem: “o Binoca tinha que estar aqui!” Só que desta vez, com a inclusão de seu autor mor. O Binoca e o “Kbeça” tinham que estar aqui. O garçom registrou tudo.

Depois demos uma passada para fotos pela Baden Baden e resolvemos zarpar. Não queríamos ter o azar de pagar serração na volta da serra nem muito trânsito na Dutra. E da serração realmente escapamos. Pegamos um buraco numa das curvas na volta que nos fez literalmente sair pela tangente e invadir completamente a pista oposta. Ainda bem que não vinha nada do outro lado. Do trânsito na Dutra, acho que não existe Dutra sem trânsito, não escapamos. Ainda mais com as reformas que estão acontecendo por lá. Além disso, há vários pedágios, o que atrapalha muito a vida do motociclista. Depois de tudo isso, o mesmo caminho cansativo e travado de Juntas Provisórias, Bandeirantes, Farah Maluf e Anchieta para chegar em casa.

No total, rodamos mais de 450 quilômetros neste dia. Chegamos em casa por volta das 18h. O “Kbeça” tinha acabado de chegar.

Enfim, o fim

Voltamos na sexta-feira. Era para termos voltado no sábado. Tínhamos mais dois dias em SBC. Sábado curtimos um almoço com nosso tio Ricardo num dos clássicos restaurantes de São Bernardo do Campo, o gigantesco São Judas Tadeu. A noite queríamos ir a um bar de cerveja especial. Encontramos nosso amigo Daniel Arthur que mora em Sampa agora e fomos para a Vila Madalena. Lá fomos para o Melograno, mas já estava fechando. Ficamos no bar Quitandinha, conversando. Domigo era dia do clássico e bom almoço de família com o Klaxon, avós pai e mãe. Uma bela de uma comilança se seguiu de boas sobremesas e do jogo do Santos contra o Palmeiras. Este, o Santos perdeu. Mas fomos campeões.

Segunda cedinho, o Felipe foi embora para Belo Horizonte, sozinho. Eu ficaria mais uns dias para resolver algumas coisas. Chegou tranquilo e rápido. Fiquei em casa com a minha mãe, no meio de semana, curtinho a vida de adolescente de alguns anos atrás, quando apenas estudava e passava os dias jogando bola, vídeo-game e estudando. Uma sensação estranha mas que durou pouco. Na quarta-feira cedo, também saí cedo rumo à BH. Resolvi não fazer paradas e vim numa tocada só. Só parando sem descer da motocicleta, apenas para abastecer. Cheguei 12h cravado na garagem de casa.

Tinha acabado a trip. A viagem planejada com tanto tempo de antecedência tinha passado. É uma sensação estranha que todo mundo já deve ter vivido. De chegar de viagem. Ainda mais com aventuras, companheirismo, família e amizade.

Foi realmente uma experiência inesquecível. Aproveito para agradecer a todos os que estiveram conosco desde o começo, alguns que participaram por fora, lendo o blog. Outros que tinham que ter ido e não foram, como o Binho, a Gabi e a Dona Sônia. O Klaxon que esteve presente nos encontros de família e nos ajudou com a hospedagem na maravilhosa casa de sua namorada. Nossa prima Miriam que foi uma excelente companheira e guia, nosso amigo Daniel Arthur e claro, nossos queridos avós, que estiveram conosco o tempo todo. E pra finalizar é claro, os companheiros de viagem. O meu cunhado Felipe, que é meu amigo. E meu pai, o “Kbeça” Quadrada. Na verdade ele se chama Rubens Maglovsky.

Não sei se escreverei tanto assim nos nossos próximos passeios pois, espero, estes sejam muitos e não haja tempo!

Até a próxima!