Sounds of The Universe

Pode estar cedo para um parecer. Mas este novo disco do DM está bem estranho. Eu que sou fã e fiz um post aqui, logo que o clip de Wrong saiu na net, não estou assimilando muito bem. Falei inclusive que se o disco fosse todo no estilo de wrong, seria um belo disco, mais dark e industrial. Mas, o DM já fez isso antes. Em 1997, lançou o single Barrel of a Gun do disco Ultra, um dos melhores na minha opinião. Uma música pesada e industrial, cheia de texturas e com um clima negro. E o próprio disco não era assim.

O mesmo aconteceu com o SotU (Sounds of the Universe). Wrong é muito boa, moderna e com uma batida que, como disse bem meu companheiro de banda, Psico, lembra algumas músicas do Marilyn Mason.

Alguns fãs na net estão dizendo que o disco é uma homenagem da própria banda para todos os álbums e fases deles. Se você começar a forçar, pode até começar a ver algo assim. Mas eu não acredito nisso. Pode ser que sejam restos de estúdio, músicas que ficaram pra trás e que resolveram lançar agora com uma nova roupagem. Disseram isso também quando lançaram o Exciter em 2002. Mas também não creio. Não importa o que seja, o disco, na minha opinião de fã do DM e de quem acompanha a banda desde 1990, é que ele é fraco e estranho. Com umas melodias bem estranhas pra quem está acostumado com a banda.

Me parece aquelas coisas de produtor. O Dave sempre cantou com aquele vocal mais poderoso e grave, até mais anos 80, mas que era característico da banda e dele. Depois que lançou o primeiro disco solo, logo depois do Exciter, começou a cantar em tons mais altos. E realmente, sua voz não é a melhor nesses altos. Por isso que eu digo mais uma vez que parece papo de produtor. Quando você chega pra gravar um disco e o cara começa: “pô, você tem uma puta voz, vamos explorar mais isso, outros tons, mais altos…” e por aí vai.

Há vários elementos e timbres antigos neste disco, coisas que me lembram o Black Celebration. Na primeira música, In Chains, tem um monte. Na paradinha do refrão tem umas percussões eletrônicas que parecem sair do DX7. A segunda música tem aquelas percussões eletrônicas que o DM gosta de usar, com uns barulinhos space/disco. A terceira é Wrong, muito boa. Mas eu ainda prefiro a versão do single remix – Wrong (Wrong Replies Mix by SLAPPER – Final). Fragile Tension começa como uma música do Erasure, mas fica boa no meio e o refrão não é legal, com o Dave dando um grito agudo. Os timbres MIDI antigos são até legais. As guitarras mal se precebe. Little Soul, é uma daquelas músicas boas do Martin, como Comatose do Exciter. Esta seria a música mais estranha de um disco normal do DM, mas neste caso, é mais uma estranha. Os timbres do refrão parecem a banda dos anos 70 Electric Light Orchestra. In Sympathy, no mesmo estilo da quarta música, Fragile Tension, mas menos interessante ainda. A sétima música foi a que mais estranhou todo mundo com quem conversei. Peace. Começa com um synth bass, no estilo Major Tom do Peter Schilling. Anos 80 total. A linha de voz, fazendo força pode lembrar Across The Universe, dos Beatles. O refrão é bizarro. Tem muita letra pra pouco tempo e um gritinho anos 80 do Dave no final horrível. A oitava canção é Come Back. Estilo Exciter, minimalista e boa. A nona, Spacewalker é muito boa. É a música instrumental do disco, como em todo disco do DM. Aquelas vinhetinhas como Easy tiger do Ultra. Muito boa. A décima é Perfect. Um belo refrão e uma sonoridade e melodia 80 com timbres de synths no melhor estilo sine lead. Esta é uma boa canção, mesmo com o Dave mantendo a voz lá em cima o tempo todo. Miles Away é muito ruim. Tem até percussões eletrônicas que parecem fora do lugar. Os timbres são no mínimo duvidosos, assim como a linha de voz. Como todo disco do DM, não poderia faltar pelo menos uma referência à Bíblia. Jezebel, a penúltima música, cantada por Martin. Com vocais mais virtusos, efeito de voz lá no fundo, e umas percussões eletrônicas latinas ao som dos acordes da guitarra, é uma música meio estranha. Eu não gostei miuto. Destaque para o solinho depois de 2:25 de música, no estilo Love Thieves do Ultra, triste e soturno. Finalmente a última canção do disco, Corrupt. Com mais uma batida inspirada nos anos 80, arranjos minimalistas e a voz do Dave mais uma vez lá em cima. O que ainda piora nesta, é mais uma vez o uso dos corais entre Dave e Martin. Será que eles não perceberam que isto não estava dando certo desde o começo disco? Pelo jeito não. Mas esta dá pra ouvir numa boa.

Não gostei muito mas é melhor que Playing the Angel. Vida longa ao DM!

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