Histórias em Quadrinhos

Estava mexendo nos meus arquivos antigos (de papel de verdade) para fazer um documento e achei minha inscrição para um workshop de quadrinhos. Este workshop, com David Campiti, aconteceu em Belo Horizonte, em 2000 ou 2001, não me lembro exatamente. Foi realizado pelo pessoal do Big Jack e embora legal e divertido, principalmente para jovens ainda empolgados com quadrinhos, como eu na época, o foco era o mercado americano. Embora ainda fosse fã dos quadrinhos americanos, não estava muito empolgado com a ideia de saber como era o esquema para entrar no mercado de lá e virar desenhista da Marvel, DC, Image ou Dark Horse. Gostava e ainda gosto da arte dos quadrinhos.

Esta minha ideia já tinha ido por água abaixo muito tempo antes, antes de chegar em BH, quando visitei o pessoal da Fábrica de Quadrinhos e percebi que não tinha o talento certo para fazer quadrinhos de verdade. Narrativa, agilidade para rascunhos específicos, memória referêncial grande, qualidades e habilidades fundamentais para qualquer quadrinista.

No workshop tivemos informações sobre o que os editores americanos pensavam e gostavam. Como é a posição correta e clássica do Superman num quadro de abertura de página inteira, posição do Ciclope e dos X-MEN juntos, plano americano sempre em voga, estrutura dos personagens, coisas como essas não faziam mais a minha cabeça. De qualquer forma foi válido. Ficamos sábado e domingo lá ouvindo o Campiti, que tem um estúdio chamado Glass House Graphics, onde leva talentos do mundo todo, principalmente do Brasil, para agenciar nas grandes editoras do EUA e, claro, seus próprios projetos. Falou sobre tudo. Desenhistas que sabiam desenhar grandes desenhos posters mas não sabiam fazer narrativa (me vi um pouco nesse comentário dele, rs), jovens que também se achavam desenhistas copiando o estilo de outros famosos desenhistas, brasileiros de sucesso copiando americanos e se dando mal. Até exemplos de quadrinhos mal desenhados mas que tiveram que sair mesmo assim para cumprir o prazo da revista. Roteiristas que quase acabaram com personagens clássicos e vendávies, como o Wolverine na época em que perdeu o Adamantium e virou uma fera ridícula sem nariz. No fundo, tudo não passa de um grande mercado. E eu já sabia disso, não queria saber como era lá no fundo e muito menos trabalhar nisso.

Conheci alguns garotos empolgados com quadrinhos, sonhando em serem desenhistas famosos lá fora e no final do workshop tomando aquele banho de água fria do Campiti, analisando os desenhos da galera friamente. Normal, o cara é um profissional e tem mais que dar a real na molecada. Mas eu não levei meus desenhos pra ele ver. Sabia que meu estilo não funcionava para o “mercado americano” que nós brasileiros tanto lemos, mas também sabia e sempre soube que toda arte é válida e tem seu lugar. Alguns garotos ficaram chateados ao ouvir em inglês ou numa tradução simultâne mais ou menos, que seus desenhos e rafs não eram bons para “eles”. Mas o workshop era para isso mesmo e eu acho que consegui captar o que me interessava.

Escrevendo sobre isso aqui, comecei a ver o tanto de tempo que fiquei lendo quadrinhos, apreciando esta arte maravilhosa. Quem dera já conhecesse os europeus e alternativos. Mas era divertido, chegar na banca, religiosamente a cada 15 ou 30 dias para pegar a nova edição de Conan, Batman ou X-MEN. Aliás, Conan é fora desse mercado na minha opinião. Embora muito bem explorado por alguns roteirista e desenhistas, como a dupla clássica Roy Thomas e John Buscema, e muito mal por outras, como as relançadas recentemente pela Dark Hosre, sempre foi um verdadeiro herói com história própria.

Acho que todo garoto é fascinado por quadrinhos numa certa época de sua vida. Alguns levam para semrpe, como é o meu caso. Não leio mais X-MEN nem Batman, mas gosto de quadrinhos em geral. É uma arte belíssima. Gosto de lembrar da época em que eles eram preto e branco e em papel jornal, depois foram ficando no formato americano, com papel couchê liso, com pintura computadorizada. Hoje os quadrinhos são verdadeiras pinturas cheias de efeitos de Photoshop e Painter. É legal mas nada se compara aos traços PB de antigamente de Hugo Pratt com Corto Maltese ou do já falado John Buscema e claro, dos mestres Milo Manara e Will Eisner, só para citar alguns.

Descobri um blog cheio de quadrinhos americanos completos para download hqproject. O lema dele é COMPARTILHAR NÃO É PIRATEAR.

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