Motocicletas no Sangue

Nunca falei sobre isso no blog. É verdade que fiquei mais de 10 anos sem ter uma moto ou mesmo pilotar uma. Dizem que moto é como cachaça. Uma vez que se prova, não larga mais. Tenho que admitir que é um verdadeiro vício. E não só pelo fato de você pilotar uma motocicleta. Quando temos um modelo, compramos outro já pensando no próximo. É engraçado e parece um consumismo louco. Mas não é. Cada moto lançada é um objeto de desejo de todos os motociclistas, independente do modelo ou categoria.

Mas antes de falar sobre mim e as motos, vou voltar um pouco no tempo e falar sobre minha família e a veia motociclista que, ainda bem, sempre esteve presente entre nós.

Minhas primeiras lembranças da infância são rodeadas de motocicletas e seus barulhos agudos, típico dos motores 2 tempos da época. Mas com meu avô José, fiquei sabendo das histórias dele, do pai dele e de seus irmãos com motocicletas antigas, fazendo acrobacias e peripércias em plena VIa Anchieta, em São Bernardo do Campo, São Paulo, quando nem asfaltada direito ela era. Velhos tempos mesmo. Há algumas fotos muito belas desses momentos. Algumas postarei aqui. Voltando às minhas lembranças, é claro que ná época que comecei a tê-las, meu avô não pilotava mais. Mas o resto da família toda sim.

E o mais incrível, as mulheres também. Lembro de um episódio curioso em que minha tia Rosana fez um esfoço enorme para comprar uma DT 180, branca, do modelo com farol redondo ainda, para dar de presente para o marido dela, meu tio Carlos, no aniversário de casamento. Num final de tarde de sexta-feira, chegavam ela, meu pai e a DT. Eles deram uma capricahada na limpeza da moto. O Carlos ficou muito feliz com o presente, nem preciso dizer né. MInhas tias Rosana e Raquel tiveram respectivamente uma Yamaha RDZ 135 (famosa rabo de CB400) e outra Yamaha TT125 (primeira cross do mercado, 2 tempos também. TT quer dizer Todo Terreno). A galera da família curte uma Yamaha.

Antes disso, lembro quando era bem pequeno e meu pai tinha uma moto verde, achava que era uma Honda CG, bem antiga. Mas tive a confirmação óbvia que era uma Yamaha RS 125 importada! Teve uma época muito divertida que ele tinha uma lambreta. Lambreta de verdade, italiana e laranja. Saíamos eu e o Binho, meu irmão, na garupa do meu pai para passear. Eram outros tempos e as pessoas eram mais desencanadas. Era normal irmos passear a família toda na moto. Todos de capacete e jaqueta, mas quatro pessoas numa moto, mesmo com crianças, era engraçado e perigoso. Algumas vezes eu dormina na garupa do meu pai e as pessoas nos carros ficavam buzinando para ele, avisando que eu estava dormindo. Outra coisa que marcou foi quando meu tio Helmut, caiu e quebrou a clavícula e depois disso nunca mais quis ter motos grandes. Muitos ficam traumatizados. Meu tio Roberto, que está na Suiça hoje, tinha uma Agrale. Era típico da época também, motor 2 tempos, azul e branca. Essa moto meu pai comprou depois. Hoje, o roberto tem uma Suzuki Intruder 1500 nas terras geladas. Mas as motos que o “Kbeça Quadrada”, como apelidei meu pai carinhosamente (risos), sempre gostou, eram as Yamaha DT 180. A moto era bem bonita pra época e haviam pouquíssimas opções no mercado também. Quem queria ter moto naquela época, tinha Honda e Yamaha como opção. E depois algumas Agrales, mas nao tinham a mesma qualidade das duas primeiras. Há vários registros de viagens do meu pai com minha mãe e meus tios viajando pelo litoral norte de SP. Ou para o sul do país, Rio de Janeiro etc, com essas motos 180 cc.

Uma boa lembraça que guardo até hoje era ficar subindo na moto, quando parada, estacionada e fingir que estava pilotando pelos mais diversos lugares. Fazíamos isso nas nossas bicicletas, fingindo que estávamos em motos. Até o barulho fazíamos. Mas quando a moto chegava, do meu pai ou de algum colega, quentinha ainda e com aquele cheiro característico de óleo 2 tempos e combustível era muito bom. Um amigo do “Kbeça” chamado Hermes, comprou a moto que era a sensação do momento no final dos anos 80 e começo de 90. Um Yamaha RD 350. A moto que mais andava no mercado nacional. Subir naquela coisa carenada era excitante.

Outra lembrança nem tão boa eram as baixas da época de inflações absurdas no nosso país. O “Kbeça” tinha que se desfazer da moto para pagar outras coisas e manter a família. Mas isso era temporário, sempre rolava uma moto nova, ou melhor, uma DT nova.

Quando íamos à praia, era a libertação dos que ainda não tinham carteira de moto. Podíamos ficar pilotando na praia um tempão, com aquela brisa no rosto e o mar enorme ao lado, muito bom. Fomos crescendo, ficando mais velhos, tirando carteira de moto, ou carta como falamos na minha terra e, as motos foram ficando cada vez mais perto de nós. Quando tirei minha carta, nós tínhamos duas motos em casa. Uma RD 135 Z da Yamaha, branca, 2 tempos. A outra era uma Honda CB 450 DX, vermelha e preta, 4 tempos, conservadíssima. Logo tirei a carteira e nem curti muito as máquinas pois elas foram vendidas.

Chegando aqui em BH, só fui ter moto de novo em 2008. Comprei uma pequena Suzuki Yes 125 cc, prata, pra ir trabalhar e me locomover. Com isso acabei contaminando mais um recente membro da família. Embora ele diga que já gostava de moto, nunca tinha tido uma. Felipe (Frango) meu cunhado, comprou uma bela Yamaha 250 XTZ, motard. É uma bela máquina, toda dark. Eu peguei recentemente uma Honda Falcon 400. Também preta, com detalhes cinza. O resto da família toda tem motos até hoje. Meus primos Dago e Micky tem a Honda Sahaara 350. O Ronny tem uma Suzuki Marauder 800, que o “Kabeça” está pensando em comprar. DJ BInho, ficou com a minha Suzuki Yes 125.

O motivo deste post era justamente explicar nossa viagem, que começa nesta próxima sexta-feira, dia 5 de março de 2010. Sairemos (eu e Felipe) de Belo Horizonte, rumo a São Bernardo do Campo, para encontrar com meu pai, o “Kabeça Quadrada”, que está com uma linda Drag Star 600, preta. E depois disso, partir rumo ao litoral norte de SP, pela Rio-Santos, até Angra dos Reis, voltando por Campos do Jordão. A viagem está programada desde outbro do ano passado. E é verdade que nossas mulheres não aguentam mais nos ouvir falando disso ou comprando mais equipamentos. Mas como eu disse no começo, é uma cachaça e não tem jeito. É claro que tudo será meticulosamente registrado e depois postado aqui. Só uma coisa não ocorreu como planejado. O DJ Binho, não poderá nos acompanhar nesta viagem. Mas na próxima, esperamos ele com a sua moto e claro, com uma bandana na cabeça!

Este post fez sucesso. Gostaria de agradecer ao Youssef, do blog do Tiozão pelo post que fez em seu blog a respeito da nossa família. E também agradecer a nossa parente, Irene Maglowsch Starck, pelas informações sobre as fotos antigas. Um abraço a todos!

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