Moto Trip – Part IV

Do Guarujá para Santiago, Maresias – dia 8 de março de 2010

Mais um belo dia de sol nascia. E que calor! Só de pensar na indumentária toda já me dava desespero. Mas faz parte do processo. Acordamos 8h e fomos até a “padoca” tomar café da manhã com o típico bauru de Sampa e suco de laranja. Depois do desjejum, voltamos à casa para se trocar e subir nas máquinas. O “Kbeça” estava transpirando antes mesmo de colocar a jaqueta, só de camisa. Tudo pronto, a estadia no Guarujá foi perfeita e com ótima companhia mas a viagem tinha que continuar. Antes passamos no posto para calibrar os pneus e encher os tanques.

Na saída da praia de Pernambuco paramos para fazer algumas fotos na praia de pescadores. Depois, direto para a balsa que nos levaria até Bertioga, na mesma estrada da marina e que dá acesso às praias de Iporanga. Esta balsa é bem rápida, não ficamos nem 10 minutos nela e pronto, desembarcamos em Bertioga. Nem paramos para fotos direito lá. Foi apenas de passagem mesmo. Seguimos cruzando a cidade toda, beirando a Riviera de São Lourenço e chegando em Barra d’Una e Juquehy. Entramos em Juquehy para dar uma olhada, o restaurante Freijó estava lá como sempre e foi uma pena termos passado tão cedo naquele local, pois a comida deles é ótima. Para minha surpresa, praticamente todos os bares e quiosques estavam fechados. Sei que era uma segunda-feira de manhã mas turistas não tem dia nem hora. Ponto negativo para Juquehy. Depois de fazer algumas fotos resolvemos ligar para o caseiro da casa de Santiago. Pronto, avisamos que chegaríamos em menos de 1 hora. Depois de Juquehy fomos direto para Maresias-Santiago.

Falcon, #fail

Não é possível que até aqui nehuma motocicleta teria dado problema. E foi justamente neste trecho maior que a minha moto começou a patinar. Era só aumentar o giro rapidamente da quarta para quinta e no final da quinta marcha que ela começava a patinar e não passava de 100 k/h. Paramos rapidamente depois de eu fazer uns testes na pista e constatamos que seria a embreagem. Como não havia como fazer nada naquele momento, resolvi diminuir o rítimo e seguir em frente. Nesta hora até trocamos de posição. Eu fui na frente tomando o lugar do “kbeça” e o Felipe em último tomando o meu lugar. No decorrer do percurso ela voltava ao normal, depois patinava de novo e fui assim até Santiago.

Santiago, o paraíso

A estrada de Juquehy até Maresias é muito bonita, seguindo o belo padrão Rio-Santos de praias e serras verdes. Logo depois de Maresias vimos a placa Santiago, mas de repente, muito rápido, a entrada aparece depois de uma curva em declive. Passei direto e os outros atrás de mim também. Depois de uma voltinha, adentramos o balneáio e constatmos, para o nosso espanto, que era apenas um quarteirão! Ainda assim, entramos na rua errada, voltamos e ficamos esperando o caseiro chegar para abrir a casa. Quando o filho dele abriu a porta e nos deu a chave quase caímos de costa. A casa era um espetáculo! Muito bonita e bem feita, totalmente funcional e prática, com uma bela piscina e um excelente trabalho de paisagismo e decoração. Ainda ao abrir a geladeira, Bohemias, uma Baden Baden e uma Eisenbahn geladas, perfeito. Estávamos no verdadeiro paraíso. Foi o tempo de tirar parafernalha toda e cair na piscina com uma cervejinha na mão. Ficamos mais ou menos uma hora falando bem da casa e elogiando cada detalhe, cada planta do jardim, enfim, estávamso felizes da vida.

Decidimos que iríamos almoçar em Maresias. Não achamos nada aberto e continuamos até Boiçucanga. Paramos no restaruante Casa de Pedra. Estava vazio, mas é um belo estabelecimento e de ótima comida e serviço. Todos nos disseram que os preços do litoral norte estavam altos mas para nossa surpresa, em todos os lugares que paramos, os preços estavam mais em conta que os de bons restaurantes de Belo Horizonte. Comemos ótimos pratos de frutos do mar. Felipe e “Kbeça” com camarão é claro. O restaurante é de frente para o mar, muito belo e arejado. Pra não dizer que estávamos sozinhos, logo que sentamos, chegou uma família de japoneses com um japonês velhinho de óculos escuros que só pode ter saído do desenho Dragon Ball Z. Ele soltou uma risada sinistra para nós quando perguntamos à eles se queriam que retrirássemos os capacetes da mesa ao lado para que eles se sentassem. Disse – NÃO! Nós vamos sentar lá! Apontou outra mesa, olhou para nós e soltou a gargalhada – HAHAHAHA! E se sentou. Depois desse episódio todas as tiradas vinham acompanhadas da sinistra gargalhada.

Na volta paramos numa casa de carnes para garantir nosso jantar com um churrasquinho e repor as bohemias que tomamos e claro, comprar mais. Naquela noite não íamos mais pilotar para nenhum lugar e poderíamos beber um pouco mais sem preocupações.

Ao chegar em casa, resolvemos conhecer a praia de Santiago. E ao chegar lá, descobrimos que a praia era só nossa e dos caiçaras. Uma belíssima praia, com uma bica dentro da mata. Haviam alguns caiçaras jogando bola no fim de tarde, outro pescando com a varinha no mar e nós banhistas.

Gato picado por cobra tem medo de linguiça

Este subtítulo engraçado é um ditado que o “kbeça” soltou devido ao nosso excesso de receios e medo. Estávamos tranquilos e só pensando em praia e andar de moto quando alguém sempre chegava e nos colocava algum medo. Frases do tipo –”Falcon é visada hein, cuidado!”, toda hora eram ouvidas de alguém desconhecido. No restaurante ao conversar com o dono de lá e um vendedor, nos disseram para não ir até Trindade pois era um antro de vagabundos e malandros. Não demos ouvidos à isso. Depois ao chegar na casa, em Santiago, e saber que éramos os únicos no balneário com os caseiros e caiçaras, começamos a imaginar algum assalto ou coisa do tipo. Mas foi só iniciar o churrasco, beber cerveja e soltar uma gargalhada, ao melhor estilo mangá, que tudo isso passou.

Comilança, trilha sonora e boa noite

Nós comprarmos 24 latas de bohemia e mais de 1 kg de Picanha e algumas asinhas de frango e demos cabo de tudo isso ao longo da noite. Noite esta que estava estrelada, quente e bela. Na nossa passagem e estadia por Santiago teve um disco que foi a trilha sonora “default”.  Foi o disco de clássicos do Rod Stewart, que estava dentro do aparelho. Desde a hora em que chegamos na casa ele tocou praticamente até o final. O disco é excelente e tem belíssimas interpretações. Combinou direitinho com a paz que estava nos momentos em que passamos por lá.

Mais um dia maravilhoso estava indo embora. E olha que este dia durou bastante. Depois de muitas risadas, cervejas e carne, resolvemos ir dormir. E dormir com aquela brisa, aquele barulhinho bom de mato e grilos não tem nada igual.

No dia seguinte, ficou combinado que iríamos de manhã à praia e depois para Ilha Bela.

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