Moto Trip – Part V

De Santiago, Maresias para Ilha Bela – dia 9 de março de 2010

Opinião

DJ Binho disse que eu estou me delongando demais nos relatos sobre a viagem e que deveria focar mais nas motocicletas. Não posso fazer nada. Quem não tiver paciência de ler os meus textos, “paciência”. É sobre a viagem e não só motos.🙂

Praia de Santiago, mergulho rápido e saída

Levantamos e como combinado fomos à praia. E a praia era só nossa. Absolutamente ninguém. Curtimos o mar e o sol estava muito forte. Voltamos pra casa e saímos para Iha Bela.

A estrada

Mais uma vez a estrada revelou-nos suas lindas paisagens. Em meio às sombras das árvores e em clareiras ensolaradas, um passeio bucólico com vista para o imenso mar azul nas serras da mata atlântica. Embora já mencionado, vale mais uma vez ressaltar o quanto você em sua motocicleta interagem com o ambiente. Aromas, sensações, temperatura, brisas, insetos, paisagens, tudo pode ser literalmente sentido na pele. Uma experiência que só quem viveu pode saber.

Antes de chegar na balsa que nos leva até Ilha Bela, paramos para abastecer. Um outro motociclista, mas sem motocicleta, parou para conversar. Como diria o Tiozão em seu blog, ainda restam motociclistas da época das saudações, em que um acenava para o outro ou dava uma buzinadinha para um cumprimento, independente da tribo ou cilindrada. Isso acontece ainda hoje, principalmente em viagens maiores e com mais motocicletas. Todos os frentistas dos postos também são sempre curiosos e amistosos, perguntando de onde viemos, para onde vamos, desejando boa viagem e dando alguma dica. Depois de uma breve apresentação, ficamos sabendo que ele tinha uma custom, nos avisou que um caminhão havia derramado óleo diesel daquele trecho até Ilha Bela. E para amenizar a situação da pista cheia de óleo, a prefeitura havia jogado serragem em cima. Ou seja, ruim com o óleo, pior com a serragem. Para nossa sorte, toda esta sujeira estava na pista da volta. Sem maiores problemas.

Ilha Bela

Chegamos na balsa exatamente na hora do embarque. Mais uma bela paisagem para a memória e para as fotos. Navios, balsas maiores, a Ilha logo à frente e todo aquele mar azul e uma imensa serra atrás de nós. Este trecho de balsa é bem maior que os outros. Quase meia hora. Ela também é bem grande. Motocicletas não ficam na fila para embarcar pois há um espaço reservado só para elas. Se você stiver chegando junto com um carro forte ou um caminhão tanque, terá que esperar a próxima balsa. Este tipo de carga só pode atravessar sozinho. Pra nossa sorte, na volta, havia um carro forte mas mandaram duas balsas, assim não houve espera.

Ao desembarcar na ilha, pegamos para direita, lado sul. Como estávamos famintos, fomos direto procurar o restaurante Nova Iorqui, indicado pelo vendedor de Boiçucanga. Em todo o caminho um belíssimo visual. Estávamos beirando a ilha toda numa estradinha na encosta, com subidas e descidas sempre mostrando o mar, as serras e a mata. E esta estradinha é ótima pra pilotar a motocicleta, muito divertida e cheia de curvas. Chegamos ao restaurante e estava tudo muito tranquilo. Estacionamento, entrada com jardim oriental, várias carpas e um visual devastador. O restaurante é um deck na encosta da ilha e dele você pode ficar observando a paisagem e, claro, o enorme e belo mar azul. Não me canso nunca do mar azul. Mais uma  vez, nos disseram que o restaurante era caro. E até que os preços pareciam altos mas os pratos dão para 4 pessoas. Então acaba que sai tudo bem em conta. O serviço é excelente. No “bg” Beatles em versão chorinho e o som natural dos pássaros. O prato que pedimos foi um dos melhores da viagem na minha opinião. Badejo à Parmegiana com purê e fritas. Um com molho de camarões e um sem, pra mim, pois sou alérgico.

Depois de bem alimentados e satisfeitos, resolvemos voltar para pegar uma praia na ilha. A ilha funciona da seguinte maneira. No lado sul há muitos restaurantes, casas, pousadas e hotéis. Há apenas 1 praia de fácil acesso, com uma praça, alguns quiosques e estacionamento. A outra praia que tem no lado sul é acessada somente a pé, por uma trilha e há cachoeiras. Pra quem tem tempo, disseram que é um excelente passeio. No lado norte, há várias praias grandes. Nós paramos nessa “prainha” do lado sul. A água estava ótima, gelada. E a praia é daquelas em que você mal entra e já está de água até o pescoço. O “kbeça” pra variar, ficou no guarda-sol tomando um suco de abacaxi.

Uma duchada e seguimos rumo ao norte da ilha. Este lado é mais habitado. Tem trânsito de verdade, sinais e cruzamentos. A tarde avançava e a pista para o norte é de pedras. Não tínhamos um rumo específico. Queríamos conhecer mais algumas praias e belas paisagens. Mas a Drag Star se mostrou um péssima desbravadora de caminhos que não sejam bons asfaltos e retas. Muito baixa e com uma suspenção curta, o “kbeça” estava numa verdadeira britadeira. Sem contar o tanto que ela esquenta. E irritado com isso tudo, sugeriu voltar para a casa em Santiago. Assim, acabava nosso passeio em Ilha Bela, que tinha sido excelente. Espero voltar lá várias vezes. Se estivéssemos os três em três motocicletas V-Strom, ou mesmo em modelos como a Falcon, teríamos seguido em qualquer terreno sem problemas. A XTZ também aguenta bem o tranco. Mas o Felipe já tinha reclamado da trepidação, pois ela é mais street e com seus pneus lisos, também não é o ideal. Não tenho o que reclamar da Falcon neste ponto.

Retorno

Na ida, não tivemos problemas nenhum nem com óleo na pista. Na volta, o óleo e a serragem estavam praticamente secos. Mas ao voltar, mais confiantes e empolgados, e como todos sabem, toda volta é mais impaciente, cometemos alguns erros de percurso, principalmente em curvas. Isso é normal mas é bom para ficarmos espertos com a facilidade de perder o controle da motocicleta numa acelerada ou numa tocada mais intensa. É muito comum entrar na outra pista sem querer. Com a Drag então nem se fala. Mas foram apenas alguns vacilos sem nehuma consequência, a não ser a experiência.

Paramos num armazém – que palavra antiga não? e compramos mais cervejas. Desta vez bem menos. E ingredientes para um macaroni à bolognesa que eu ia preparar.

A noite foi muito tranquila. Depois do jantar, Felipe e “Kbeça” tiraram uma soneca. Eu como sempre, não tenho paciência pra isso e fiquei limpando a cozinha, além de já ter cozinhado. Depois lavei as motos. Uma lavagem mais ou menos, só pra passar o tempo. Estávamos em clima de despedida da bela casa e da ótima estadia por lá.

Deixamos tudo preparado para sair na manhã seguinte, bem cedo. Nosso destino seguinte era Trindade – Paraty, no Rio de Janeiro.

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