Moto Trip – Part VI

De Santiago, Maresias para Trindade, Paraty – RJ – dia 10 de março de 2010

Chegava ao fim nossa fase de estadias não pagas e em confortáveis e belas casas de parentes e conhecidos. Saindo de Santiago logo cedo, nosso destino era Trindade, em Paraty, Rio de Janeiro. Um trecho um pouco mais longo e, finalmente, chegando ao nosso terceiro e último estado programado, o Rio de Janeiro. Lembrando que Felipe e eu saímos de Minas Gerais. Nas primeiras programações cogitou-se ir até a cidade e praias do Rio. Depois resolvemos parar em Angra dos Reis e, por fim, em Paraty. Tudo isso para termos o prazer de poder voltar por Campos do Jordão com mais calma e poder pernoitar pelo menos uma vez nas montanhas frias.

Deixamos a chave da casa com o caseiro e caímos na estrada. No trecho incial pudemos rever todas as belas paisagens pelo caminho até Ilha Bela, que havíamos feito no dia anterior. Passamos por Caraguá, Ubatuba e ao longo do caminho mais paisagens maravilhosas eram vistas. Algumas registradas e postadas aqui. Fizemos apenas algumas paradas para fotos e para arrumar a bagagem do “Kbeça” na Drag, que não parava de pender para a direita e quase cair. Entrando no centro de Ubatuba, eu estava na frente por causa do problema da Falcon, que poderia voltar a qualquer momento (descobri depois com o mecânico aqui em BH, que o probelma que tive é normal e se deu deivido as altas temperaturas em que nos encontrávamos) e também para decidir onde parar para fazer as fotos. E foi nesta mudança que o “Kbeça” se perdeu de nós numa rotatória. Depois de tentar ligar sem sucesso para o seu celular algumas vezes e ficarmos parados no mesmo lugar durante uns 10 minutos, resolvi ir atrás dele enquanto o Felipe esperva numa praça. Mas não obtive sucesso na minha busca. Quando estava voltando pra encontrar com o Felipe, senti o celular vibrando e era ele. Estava nos esperando um pouco à frente, na continuação da estrada. Nos encontramos e seguimos em frente. Ubatuba é a maior das cidades do litoral norte. Não sei dizer se é a maior por extensão e população. Mas é uma das mais visitadas, pelo grande número de praias e também foi o trecho que mais demorou para passar durante a viagem.

Entramos no estado do Rio de Janeiro. Não vimos nenhuma placa de Trindade, apenas de Paraty. E por isso mesmo, passamos direto pela entrada, parando em Paraty. Havia algumas obras antes de Trindade e ficamos parados uns 10 minutos na estrada. Estavam fazendo reforços nas barragens de terra, na beira da pista, pois estas estavam desbarrancando para dentro da estrada. Voltamos, achamos a entrada e ficamos conhecendo a famosa e temida descida para Trindade. Um dos trechos desta descida, como havia avisado o tal vendedor lá em Boiçucanga, é conhecido como “Deus me livre”. É tudo asfaltado e a princípio não achamos nada demais. Existem algumas pedras, terra, areia, curvas bem fortes, verdadeiros cotovelos e em alguns trechos há um pouco de água passando pela pista. Fizemos todo o trajeto com extremo cuidado. Mas tirando uma saída de lado da Drag, não aconteceu nada demais. Ao chegar em Trindade e avistar a bela praia de pedras e surfistas da entrada, passamos por uma pequena corredeira que desce da montanha e passa sobre as pedras, aquelas parecendo sabão de tão lisas. Mais uma vez, fizemos o pequeno trecho com todo o cuidado e pronto, adentramos a vila de Trindade.

Trindade

Todos nos disseram que Trindade era o verdadeiro paraíso. Várias praias diferentes, piscina natural, cachoeiras, boas pousadas e restaurantes, muita gente diferente, turistas e um visual de lugar esquecido, que dava à ela, esta fama de “paraíso”. Ao passar por esta única rua do vilarejo, todos nós em motocicletas e encapotados nas nossas roupas, mais uma vez viramos uma espécie de atração turística. Olhamos algumas pousadas pelo lado de fora mesmo e não sentimos muita confiança. Continuamos andando quando um sujeito, desses sempre alerta a novos turistas, perguntou se estávamos procurando uma pousada e de que tipo seria esta. Conversei um pouco com ele e acabou nos indicando a pousada Dois Irmãos. Era numa transversal da rua principal. Uma das melhores fachadas dentre todas as pousadas, é verdade. Mas ao entrar, perguntar os preços e se havia vagas, que era óbvio que havia, a recepção da dona não foi nada amigável. E eu que não sou nem um pouco paciente, já estava com vontade de ir embora. Resolvemos visitar o quarto e constatamos que não tinha nada demais. Limpo, arrumado, pequeno e bem mediano. Mas resolvemos ficar lá mesmo. Farei uma pausa para um adendo sobre este episódio. Por trabalhar com comunicação e algumas Prefeituras, dentre elas, algumas com forte apelo turístico, já participei de workshops e várias reuniões sobre turismo aqui em Minas Gerais. A coisa que mais espanta e atraí turistas à um local são as pessoas e a receptividade com que estes são recebidos. Mesmo que o local não tenha grandes atrativos. Se tiver um povo local amistoso e que trate bem os turistas e visitantes da cidade, todos saem dizendo que a visita foi maravilhosa. Isto é realmente um fato. Quem não quer ser bem tratado? Um dado real, de um estudo que pude ter acesso num workshop do pessoal da Marca Brasil, especializado neste ramo. Mesmo assim, você numa viagem de motocicleta e com calor, cheio de equipamento, chega à uma pousada, que não é nem um pouco barata pelo que oferece e ainda é recebido com má vontade. Como se os donos estivessem fazendo um favor em nos receber e não o contrário. É por isso que queria dar meia volta. <em>Voilà</em>, queríamos é ir à praia e curtir. E até aqui estava tudo indo muito bem.

O visual de Trindade, vamos falar a verdade, não é nem um pouco impressionante. A vila e sua única rua principal tem um aspecto selvagem mas ao mesmo tempo um outro aspecto muito mais de periferia. Há alguns restaurantes legais e outros horríveis, sendo estes a maioria. Um amontoado de construções e casinhas muito mal acabadas, com tijolos aparentes e reboco à vista. Algumas conseguem captar aquele espírito de praia, de madeira e construção despojada. Mas no meio da bagunça toda das contruções mal feitas, não convence muito. No geral, parece a periferia suburbana de qualquer cidade da capital, só que situada na areia da praia. Há muitos “campings” e muitos turistas e caiçaras de “bobeira” ao redor da vila e das praias. A grande maioria dos turistas, são aqueles gringos mochileiros. Tipos que parecem ter vindo da Argentina ou do Chile a pé e sem nehum tostão no bolso, pegando carona com caminhoneiros ou quem passasse na estrada. Eles ficavam inclusive pedindo carona pra sair de Trindade. Mesmo havendo linha de ônibus. Falando cruamente, acho que os mochileiros não tinha dinheiro nem pro “busão”. E como em toda praia “selvagem”, os gringos europeus se misturam aos caiçaras e aos latinos, formando aquele grupo de aproveitadores e aproveitados. Mas todos se dando muito bem, não nos incomodaram nem um pouco. Estou apenas fazemdo o relato verdadeiro do que achei do lugar. E esse conjunto de coisas, mais o fato de, logo de cara, não ser bem recebido pela dona da pousada, me deixaram uma primeira impressão horrível de Trindade. E como todos sabem, a primeira impressão é a que fica. Se eu fosse um desses paulistas bairristas, com certeza diria que foi porquê chegamos ao Rio de Janeiro. Mas em momento algum tivemos este tipo de pensamento, primário e infantil e que discordo completamente.

Fomos à praia finalmente. A primeira praia, que não me lembro como chamavam-na segue o espírito da vila. Já não começa muito bem pois, para entrar na praia, você passa por dentro de uns quiosques ou bares bem ruins. Eles são também todos amontoados um em cima do outro. Não tem um visual legal. A praia é minúscula. Mas para salvar tudo isso, o mar e o visual das serras e vegetação é muito bonito, como em todo o litoral norte. Por isso, o melhor é ficar olhando para o mar e para o horizonte infinito. Ficamos num bar situado bem no meio desta praia pois não havia opção de sentar em outro lugar. Nem mesmo na areia havia espaço ou sombra pois a praia é realmente muito pequena. Um sujeito cabeludo, figura peculiar nos atendeu. Ele se chamava Ricardo mas o “Kbeça” insistiu em chamá-lo de “Marquinhos”. Até que uma hora o cara olhou por cima dos óculos e corrigindo disse constrangido: – Marquinhos! Ele me contou que a bebida típica da região se chamava Gabriela. Cachaça curtida no cravo e na canela. Mas estava tão calor que ficamos na cerveja mesmo. Depois de uns mergulhos fomos almoçar. Escolhemos um restaurante bem simples e de pratos feitos. Não há requinte em Trindade. Ainda bem que tínhamos aproveitado bem este tipo de coisa em outros lugares. Lá é tudo bem simples. Não que isso seja ruim. Mas se você quiser algo mais bonito, um restaurante com um belo tratamento, vinho ou champagne, esqueça. Lá não é o lugar pra isso. O meu “PF” de peixe frito estava muito gostoso. E o bobó de camarão que o Felipe e o “Kbeça” comeram também estava excelente, segundo eles.

Depois do almoço, descansamos um pouco e fomos visitar a outra praia. São duas seguidas. A Praia do Meio e a Praia do Cachadaço. Na segunda há uma trilha até a Piscina Natural do Cachadaço. Pode-se conhecer esta piscina de barco. Nós preferimos esta opção. E o passeio de barquinho de alumínio foi divertido. A piscina natural é realmente muito bonita. Há pedras enormes enterradas no meio do mar raso e da praia que formam a tal piscina natural. Uma pena que fomos quando a maré estava muito baixa e não dava nem pra mergulhar. Depois de voltar, ficamos na Praia do Meio, curtindo o mar e o final de tarde. Lá sim, estava um paraíso como nos disseram. Calmo, belo e sem muitas daquelas construções feias para atrapalhar o visual selvagem. Havia também na entrada um enorme Chapéu de Sol, uma de minhas árvores preferidas muito comum no litoral.

A noite procuramos um bom restaurante e comemos peixe frito com cerveja. Ficamos conversando e depois de dar algumas voltas na rua principal e comer açaí na tigela, fomos para o quarto da pousada assistir Santos e Naviraiense, pela Copa do Brasil. O Santástico enfiou 10×0 no pobre time do Naviraiense.

No dia seguinte decidimos que íamos visitar a cachoeira e passar na praia. Depois iríamos seguir para Paraty, almoçar e andar de barco.

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