Moto Trip – Part VIII – Final

De Trindade, Paraty – RJ para Campos do Jordão e SBC – SP

A manhã e o carreto

E o dia começava belo e ensolarado mas com uma tarefa nada fácil. Colocar a Drag e o “Kbeça” no caminhão guincho. Logo cedo, o motorista chegou na rua da pousada e, com alguma dificuldade, conseguiu fazer a volta no local estreito e nos chamar. O Felipe guiou a motocicleta até a carreta, que foi muito bem presa com todo o cuidado pelo motorista. Um senhor gente boa e brincalhão.

Depois de tudo pronto e algumas fotos do momento inesperado, o “Kbeça” se despediu da gente e subiu na boléia junto com o motorista. E foram embora para Sampa, deixar a motocicleta direto na oficina.

Quais caminhos?

Agora éramos só o Felipe e eu. Recolhemos as coisas, arrumamos nossa bagagem, tomamos um banho e fomos fechar a conta da pousada. Depois do ocorrido, até mesmo a mulher que nos tinha tratado com indiferença, resolveu ser solidária e puxar papo, desejar boa sorte pra nós e para o “Kbeça” e dar algumas dicas sobre a viagem de volta. No fim ela não era tão ruim, só meio mau humorada.

Nos arrumamos e depois de tudo pronto, em cima das motocicletas, resolvemos decidir se passaríamos por Campos ou não na saída de Ubatuba. Depois de pouco mais de meia hora chegamos à esta saída e tínhamos que decidir. O Felipe deixou claro: não quero decidir nada. Por onde você falar, nós vamos! Pensei que voltar pela Rio-Santos seria mais tranquilo. Já conhecia bem a estrada, os caminhos, cruzaríamos como “Kbeça” e o reboque e chegaríamos sem o trânsito pesado de São Paulo e São Bernardo, bem na hora do rush. E o melhor, não pegaríamos a Dutra. Mas embora já conhecesse a bela Campos do Jordão, o Felipe não tinha a mesma sorte. E o espírito aventureiro falou mais alto. Seria bom desbravar mais alguns quilômetros de serra e estradas desconhecidas e outras já conhecidas mas esquecidas. E foi o que decidimos! Entramos em Ubatuba, para dentro de um pequeno balneário. Paramos no posto para abastecer antes de subir a serra e pegar algumas dicas sobre o trecho que iríamos percorrer. Aproveitei para ligar para o “Kbeça” e avisar sobre nossa decisão. Ele já estava em Maresias.

Pegamos a pista dupla, de bom asfalto, que nos levaria para a serra. Subindo, chegaríamos até Taubaté e depois era só seguir para Campos. A estrada logo acabou e começou uma das serras mais íngrimes e com a maior quantidade de cotovelos que já vi e percorri. Tinha curva que fazíamos em primeira marcha. Ficamos imaginando a Drag naquele trecho. Que dificuldade seria. Igual a um caminhão, abrindo as curvas. Em poucos minutos estávamos bem acima do nível do mar. Aquele ar quente do litoral já havia nos abandonado mas o dia ainda estava quente. Incrível a mudança dos mundos. Quase que sem notar, passamos da paisagem do mar e da horizontalidade mais uma vez para o meio das serras. Lá de cima paramos para avistar o belo mar lá embaixo, imenso e infinito emendando com o céu. Demos continuidade e a estrada que percorríamos, com reservas naturais, parecia aqueles filmes canadenses que tem ursos e acampamentos. Saímos em Taubaté como previsto. Passamos por um trecho pela Dutra e entramos para Campos do Jordão. A pista que se segue para lá é muito boa e duplicada. O cenário é muito bonito e a estrada cheia de curvas, o que torna o passeio muito agradável e divertido para  nós motociclistas.

Campos do Jordão

Antes de adentrar de vez para Campos, a parada obrigatória, na vista chinesa. Mais uma vez ficamos pensando na bela mudança de cenários, tão brusca e diferente.

Depois foi só subir mais um pouco a estrada e chegamos à clássica entrada da cidade, com aquele visual colonial alemão.

O Felipe comentou que tinha saído da praia e entrado na Alemanha. Realmente é muito bonito e diferente. Logo de cara vimos a placa da Baden Baden e a seguimos. Infelizmente não podíamos beber nada alcóolico e não tínhamos espaço para levar nada além das nossas fotos de recordação. Mas valeu demais. Paramos para almoçar na Mercearia Campos. Comi um belíssimo prato de trutas com batata. O Felipe preferiu uma pasta com molho branco. Nesta hora resolvemos fazer a homenagem final à frase da viagem: “o Binoca tinha que estar aqui!” Só que desta vez, com a inclusão de seu autor mor. O Binoca e o “Kbeça” tinham que estar aqui. O garçom registrou tudo.

Depois demos uma passada para fotos pela Baden Baden e resolvemos zarpar. Não queríamos ter o azar de pagar serração na volta da serra nem muito trânsito na Dutra. E da serração realmente escapamos. Pegamos um buraco numa das curvas na volta que nos fez literalmente sair pela tangente e invadir completamente a pista oposta. Ainda bem que não vinha nada do outro lado. Do trânsito na Dutra, acho que não existe Dutra sem trânsito, não escapamos. Ainda mais com as reformas que estão acontecendo por lá. Além disso, há vários pedágios, o que atrapalha muito a vida do motociclista. Depois de tudo isso, o mesmo caminho cansativo e travado de Juntas Provisórias, Bandeirantes, Farah Maluf e Anchieta para chegar em casa.

No total, rodamos mais de 450 quilômetros neste dia. Chegamos em casa por volta das 18h. O “Kbeça” tinha acabado de chegar.

Enfim, o fim

Voltamos na sexta-feira. Era para termos voltado no sábado. Tínhamos mais dois dias em SBC. Sábado curtimos um almoço com nosso tio Ricardo num dos clássicos restaurantes de São Bernardo do Campo, o gigantesco São Judas Tadeu. A noite queríamos ir a um bar de cerveja especial. Encontramos nosso amigo Daniel Arthur que mora em Sampa agora e fomos para a Vila Madalena. Lá fomos para o Melograno, mas já estava fechando. Ficamos no bar Quitandinha, conversando. Domigo era dia do clássico e bom almoço de família com o Klaxon, avós pai e mãe. Uma bela de uma comilança se seguiu de boas sobremesas e do jogo do Santos contra o Palmeiras. Este, o Santos perdeu. Mas fomos campeões.

Segunda cedinho, o Felipe foi embora para Belo Horizonte, sozinho. Eu ficaria mais uns dias para resolver algumas coisas. Chegou tranquilo e rápido. Fiquei em casa com a minha mãe, no meio de semana, curtinho a vida de adolescente de alguns anos atrás, quando apenas estudava e passava os dias jogando bola, vídeo-game e estudando. Uma sensação estranha mas que durou pouco. Na quarta-feira cedo, também saí cedo rumo à BH. Resolvi não fazer paradas e vim numa tocada só. Só parando sem descer da motocicleta, apenas para abastecer. Cheguei 12h cravado na garagem de casa.

Tinha acabado a trip. A viagem planejada com tanto tempo de antecedência tinha passado. É uma sensação estranha que todo mundo já deve ter vivido. De chegar de viagem. Ainda mais com aventuras, companheirismo, família e amizade.

Foi realmente uma experiência inesquecível. Aproveito para agradecer a todos os que estiveram conosco desde o começo, alguns que participaram por fora, lendo o blog. Outros que tinham que ter ido e não foram, como o Binho, a Gabi e a Dona Sônia. O Klaxon que esteve presente nos encontros de família e nos ajudou com a hospedagem na maravilhosa casa de sua namorada. Nossa prima Miriam que foi uma excelente companheira e guia, nosso amigo Daniel Arthur e claro, nossos queridos avós, que estiveram conosco o tempo todo. E pra finalizar é claro, os companheiros de viagem. O meu cunhado Felipe, que é meu amigo. E meu pai, o “Kbeça” Quadrada. Na verdade ele se chama Rubens Maglovsky.

Não sei se escreverei tanto assim nos nossos próximos passeios pois, espero, estes sejam muitos e não haja tempo!

Até a próxima!

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