Conan

Neste post pretendo ser rápido. Com tantas coisas sérias ao nosso redor, parece uma grande besteira vir postar aqui em protesto de algo que gosto, de uma história de fantasia. Mas como a frase do alemão e grande contador de histórias, Michael Ende que sempre utilizo “Afinal, é apenas isso que procuramos, envolver poesia nas nossas vidas, encontrar poesia na própria vida.” mostra, o que seria da vida sem fantasia?

Nossa válvula de escape. Se faz mais que necessária atualmente.

Voltando ao tema do Gigante de Bronze. E a começar pelo jargão do quadrinho, o nosso amigo Jason Momoa, que é bem legam em Game Of Thrones, não chega nem perto do apelido. E nem perto do primeiro Conan, Arnold Schwarzenegger. Todos fazem piadas sobre o primeiro Conan. Mas a abordagem da história, do personagem, da própria Era Hiboriana, de Robert E. Howard é muito fiel aos quadrinhos tão bem desenhados de John Buscema. E convenhamos, estamos numa era diferente da era do cinema de Cecil B. Demile. A falta de efeitos baratos do filme atual fez o Conan de 1980 parecer o Conan dos Quadrinhos mesmo. Real, sujo, medieval, Hiboriano, humano.

Quando assisti ao trailler do novo filme já fiquei desanimado. Desde o início, do patético nascimento no meio de uma batalha ao treinamento “sacado” e genérico dos meninos guerreiros. Horrível!

Poderia me delongar por horas a fio sobre a rica e espetacular fantasia criada por Robert. E toda a pobreza e falta de compromisso com o filme atual. Mas isso não faz nenhum sentido.

Crom! Tenha piedade de suas almas!

Manutenção

Este blog começou quando descobri que a Locaweb disponibilizava este serviço com meu URL personalizado. Antes era http://blog.stemamo.com. E era um serviço “linkado” ao WordPress.

Depois de alguns anos a Locaweb descontinuou este serviço. Recebi um aviso para migrar meu blog para um servidor WordPress, para não perder meus dados, posts etc. Tentei isso por vezes e não deu certo. Como já era usuário do WP, tinha um URL guardado com meu nome, stemamo. Falei com alguns amigos que entendem muito de programação mas também não conseguiram me ajudar.

Só me restou fazer do jeito mais difícil. Colei todos os posts numa página do Pages, programa correspondente ao Word da Apple, e passei tudo, post por post, para cá. Ao fazer isso perdi todos os comentários, tags e imagens. Começou tudo do zero.

Uma pena. Mas pelo menos consegui mater o blog com seus posts originais.

A justificativa da Locaweb faz sentido. Obviamente que eles não estavam conseguindo se atualizar com os blogs na mesma velocidade e capacidade do WordPress. Por isso deixaram isso de lado. Agora o blog tem mais recursos. Posso até fazer posts pelo celular. E também um novo template, mais clean e atual.

Agora sim, até a próxima!

“Vô José”

Hoje fiz um pequeno texto para apresentar os quadros do meu irmão aos amigos do facebook. E pensei em postar um pouco desta história.

Para falar dos quadros do Binho, que se chama Ruben, tenho que falar mais uma vez aqui do nosso avô José Maglovsky. Este era o pintor da família. Tinha uma técnica apurada. Belas pinceladas, as vezes fortes, mas quase sempre suaves. Era um amante de belas paisagens. Praticamente todos os seus quadros representavam marinas, bosques, casas antigas em encostas, montanhas, serras, luares, lagos, algumas flores, alpes, jardins. Uma espécie de Tom Jobim da imagem.

Ela era muito bom nisso. Engraçado é que ele não gostava de encomendas. Uma vez um amigo pediu um quadro do Rio de Janeiro, aquele cenário clássico do Pão de Açucar. Ele sofreu pra fazer. Protelou enquanto pôde. Mas acabou fazendo e ficou bom. Era um mestre nisso. Eu sempre que ia na casa deles, os avós, subia no atelier pela escada caracol para bisbilhotar qual a nova empreitada do “Vô José”. Sempre havia algo novo. Uma vez um conhecido que tinha um veleiro encomendou um quadro enorme do lindo barco a velas para colocar dentro dele. Ficou lindo. Fiquei impressionado com a capacidade de representar tão bem.

Eu gosto muito dos quadros do José Maglovsky. Mas ele tinha algumas gravuras, ilustrações feitas com nanquim, da época da Belas Artes que eram maravilhosas. Gostaria de saber onde foi parar isso.

Em 1997 tivemos algumas aulas com ele. Pintamos o mesmo modelo. Uma paisagem de neve. Neve é considerado um dos temas mais difíceis de se pintar. Mas até que saiu, com uma ajudinha ou outra. Nesta época das aulas de pintura já dava pra notar, a quem fosse mais atento, que o Binho tinha captado melhor a técnica, tinha mais dom para isso. Eu gostava de lápis, canetas, nanquim. Não conseguia detalhar nada com pincel, nunca consegui entender muito bem essa arte.

Como sou teimoso, há menos de 3 anos, um pouco antes de me mudar em definitivo para morar com a Gabi, minha mulher, resolvi tentar mais um pouco nessa arte. Estava cansado da reforma do apartamento, de esperar, de fazer as mesmas coisas e resolvi. De ímpeto, fui numa loja de artes em BH e comprei cavalete, um monte de tintas da melhor marca, alguns pincéis bons, outros já possuía, e algumas espátulas. Eu achava que não era bom no pincel mas que na espátula iria me dar bem. O “Vô José” tinha quadros maravilhosos de espátulas. E meu amigo Dominique também. Achei que seria fácil. Henry Miler, meu escritor favorito, pintava. Dizia que eram horríveis. Mas pintava! Comprei apenas uma tela. Seria aquela ou nenhuma.

Com todo aquele aparato em casa, no meu quarto, tudo pronto, comecei a pensar num motivo, num tema. Não vinha nada. Tentei fazer faixas coloridas, influenciado pela comunidade Color Lovers. Ficou terrível. Cores feias, tudo sujo. Foram várias tentativas de pintar essas faixas, mais de uma semana. Desisti de vez. No site é muito mais fácil e rápido. E não tem que ficar lavando o pincel. Um dia à noite, cansado, estava revendo o filme O Último Samurai, aquele com o Tom Cruise. Sou fascinado por mitologia, história, principalmente pela era de ferro e da espada. Neste filme, que conta o fim dos verdadeiros samurais, tem alguns cenários lindos. Fiquei olhando aquelas paisagens e imaginando que aquele Japão de final de inverno daria uma excelente imagem. Um excelente quadro. Dei pausa no frame desejado para a inspiração e lá se foram mais tentativas frustradas em mais uma semana inteira.

Lavei e separei tudo, pintei a tela de branco. No dia seguinte perguntei se o Binho queria o material, pois sempre soubemos que ele tinha mais facilidade com aquilo tudo. Ele quis. E logo na primeira investida, naquela minha primeira tela, ele fez um belíssimo retrato. Um senhor que parecia muito nosso avô José Maglovsky. Deve ter sido insconsciente. Eu ohei aquelas cores, aquelas pinceladas, analisei bem e nem acreditei. Em um único dia, o DJ Binho tinha feito um belíssimo quadro. Fui presenteado com ele. Que ironia. Mas é claro que estou brincando. Foi uma ironia boa. Achei muito bonito e gostei muito de recebê-lo. O nome do quadro? “Vô José”

Para ver mais quadros do Ruben clique aqui.

Interview on Blur Designs

Em fevereiro deste ano, fui convidado por Frazer Wilson, da comunidade Blur Designs, para participar de uma entrevista. Esta seria sobre o meu trabalho gráfico para a minha banda, EnjoyLive. Tudo isto se deu depois do próprio Wilson ter me convidado para fazer parte do Blur, ao ver meus trabalhos no Bëhance. A capa do Synthmatic entrou para os trabalhos selecionados da comunidade. Abaixo a entrevista completa em português. No final do post, os links para a entrevista original no blog blur, a comunidade Blur Designs e minha página lá.

Fale-nos sobre a criação para o EnjoyLive.
A banda nasceu em Belo Horizonte, em agosto de 2000, logo que tinha chegado de São Paulo, na Escola de Design – UEMG, onde conheci o designer e músico Marcos Loureiro. Ou seja, querendo ou não, foi a junção de 2 designers na música. Acho que por isso e também pelo tipo de música que queríamos fazer, sempre tivemos muito cuidado com os conceitos visuais e com a estética da banda. As atividades de composição e letras estavam sempre recheadas desses conceitos. O nome que a banda teria, o tipo de logo, as cores que usaríamos, o estilo, direção de arte e fotografia, sempre pensamos no projeto como um todo. Passados estes momentos iniciais e as muitas mudanças que tivemos, começamos a compor e os discos a sair. O design das capas sempre esteve totalmente ligado ao momento que nós vivíamos com a banda. Além disso, ao participar da composição, arranjo, letras e finalização das músicas, sempre fiquei muito dentro de todo o processo, desde o começo das ideias até a masterização e arte dos projetos. Isso fez com que pudesse brincar com o tudo o que eu já sabia sobre os discos e sua história, não precisando de um briefing de um terceiro. O máximo que fazíamos era trocar algumas ideias sobre os conceitos que mais se aproximavam do disco na questão visual e, a partir daí, o trabalho se desenvolvia com muita facilidade. O som sempre foi eletrônico. Mas no começo era bem gótico. Tinha uma aura dark e isso foi influência para o design. Todos os projetos que desenvolvi para o Enjoy, desde o logo até as capas de CD, site, Twitter, Myspace e vídeos sempre estiveram inseridos no momento da banda. Por exemplo, no final de 2005 lançávamos o disco Synthmatic. Foi uma sequência de acontecimentos importantes que tiveram incidência direta nos resultados do que íamos fazer. Um membro da banda tinha saído de forma não amigável para ambos os lados. Tínhamos praticamente perdido um disco inteiro por isso. Tivemos que nos acertar e resolver como seria o novo som. Apenas 3 iriam fazer o que 4 faziam. No final do disco, na masterização, percebemos que tínhamos um disco nervoso, bem emotivo e que misturava tudo isso já com nosso som híbrido, pesado e de batidas dançantes. A capa do disco resume bem isso. Uma amálgama do símbolo do Enjoy (kpetão), que eu havia desenvolvido em 2004 para o lançamento do nosso primeiro site, unido às nossas faces. Virou uma ilustração sintética do que nós e o Enjoy éramos – Synthmatic. Depois disso a banda passou por mais mudanças e os conceitos gráficos sempre acompanharam tudo. Acho que o mais importante sobre o meu desgin para o Enjoy é justamente o que eu disse sobre o briefing e conceito. Eu já estou por dentro de tudo e assim fica muito mais fácil criar e ousar. Posso fazer praticamente o que quiser neste sentido pois, depois de passar muito tempo num projeto, participando de todas as etapas, é praticamente impossível não absorver o conteúdo e depois deixá-los transparecer nos resultados.

Se você tivesse que descrever seu estilo de design em 3 palavras?
Eclético, Meticuloso, Ousado (tive muita dificuldade em achar essas 3 palavras. Foi um bom exercício.)

Se você pudesse escolher seria músico ou designer?
As duas coisas tem muitas particularidades e similaridades. É preciso ser criativo, cuidadoso, pesquisador, organizado, conhecedor, talentoso, habilidoso e proativo. E nos dois é difícil provar que é algo que faz diferença e que se pode e deve ganhar dinheiro com eles. Acho que nunca conseguiria ter um sem o outro. Mas se fosse pra escolher realmente, seria músico. Gostaria de saber como seria viver apenas compondo e fazendo música, tocando por aí. Mas é claro, coitado do designer que fosse fazer minhas capas e artes, chegaria nele com um briefing bem meticuloso e o resultado teria que me surpreender e agradar, se não… Neste caso acho que o músico daria lugar ao desginer e vice-versa.

Você acha mais criativo fazer design para trabalhos impresso ou para web?
O projeto em si e sua vontade de desenvolvê-lo é que pode limitar ou soltar a criação. No caso dos trabalhos impressos, ficamos presos aos tipos de impressão, papel, formatos etc. Mas acho que é perfeitamente possível desenvolver trabalhos criativos, bons e diferentes nos impressos. Sem contar as coisas que se pode fazer com tecnologia hoje. Na web temos quase que os mesmos limites de formato, tela, velocidade, transimissão etc mas é algo intangível. Há coisas que você só pode fazer na web, dando uma sensação maior de liberdade e criatividade. Mas por incrível que pareça eu gosto muito dos impressos e de poder sentir e pegar nos resultados finais dos projetos com as mãos. Ver um logo que você criou impresso na etiqueta da camiseta, na fachada da loja, no carro, no cartão, na embalagem, na sacola, no site, é algo bem recompensador.

O Brazil será campeão da Copa do Mundo neste verão?
Bem, aqui no Brasil será inverno na época, assim como na sede da Copa do Mundo, a África do Sul (rs). Eu acho que as copas estão relacionadas a outras coisas que não só vencer pelo futebol em si. Eu não gosto do estilo do Dunga de comandar o time. Não tem cara de Brasil a que nos acostumamos ver, com um futebol leve, bonito e de toque de bola rápido e envolvente, como meu time, o Santos, vem jogando atualmente. Temos craques de bola mas o técnico preferiu se render ao estilo europeu de retranca e marcação forte, que definitivamente não é a nossa praia. Mas mesmo assim, acho que o Brasil é sim um forte candidato a campeão do mundo mais uma vez, até pelo talento individual dos jogadores. Acho também que outros países podem ter esse mérito. Pra mim, levando-se em conta o momento, Inglaterra, Espanha, Itália e Brasil são os fortes candidatos. Mas ainda bem que é uma Copa do Mundo de futebol e, como tudo no futebol, poderemos ter surpresas.

Se você tivesse que fazer uma pergunta para um designer numa entrevista, qual seria esta pergunta?
Será que ele escolheria outra profissão se pudesse voltar no tempo?

Post original da entrevista

Blog Blur Designs

Comunidade Blur Designs

Minha página no Blur Designs

Moto Trip – Part VIII – Final

De Trindade, Paraty – RJ para Campos do Jordão e SBC – SP

A manhã e o carreto

E o dia começava belo e ensolarado mas com uma tarefa nada fácil. Colocar a Drag e o “Kbeça” no caminhão guincho. Logo cedo, o motorista chegou na rua da pousada e, com alguma dificuldade, conseguiu fazer a volta no local estreito e nos chamar. O Felipe guiou a motocicleta até a carreta, que foi muito bem presa com todo o cuidado pelo motorista. Um senhor gente boa e brincalhão.

Depois de tudo pronto e algumas fotos do momento inesperado, o “Kbeça” se despediu da gente e subiu na boléia junto com o motorista. E foram embora para Sampa, deixar a motocicleta direto na oficina.

Quais caminhos?

Agora éramos só o Felipe e eu. Recolhemos as coisas, arrumamos nossa bagagem, tomamos um banho e fomos fechar a conta da pousada. Depois do ocorrido, até mesmo a mulher que nos tinha tratado com indiferença, resolveu ser solidária e puxar papo, desejar boa sorte pra nós e para o “Kbeça” e dar algumas dicas sobre a viagem de volta. No fim ela não era tão ruim, só meio mau humorada.

Nos arrumamos e depois de tudo pronto, em cima das motocicletas, resolvemos decidir se passaríamos por Campos ou não na saída de Ubatuba. Depois de pouco mais de meia hora chegamos à esta saída e tínhamos que decidir. O Felipe deixou claro: não quero decidir nada. Por onde você falar, nós vamos! Pensei que voltar pela Rio-Santos seria mais tranquilo. Já conhecia bem a estrada, os caminhos, cruzaríamos como “Kbeça” e o reboque e chegaríamos sem o trânsito pesado de São Paulo e São Bernardo, bem na hora do rush. E o melhor, não pegaríamos a Dutra. Mas embora já conhecesse a bela Campos do Jordão, o Felipe não tinha a mesma sorte. E o espírito aventureiro falou mais alto. Seria bom desbravar mais alguns quilômetros de serra e estradas desconhecidas e outras já conhecidas mas esquecidas. E foi o que decidimos! Entramos em Ubatuba, para dentro de um pequeno balneário. Paramos no posto para abastecer antes de subir a serra e pegar algumas dicas sobre o trecho que iríamos percorrer. Aproveitei para ligar para o “Kbeça” e avisar sobre nossa decisão. Ele já estava em Maresias.

Pegamos a pista dupla, de bom asfalto, que nos levaria para a serra. Subindo, chegaríamos até Taubaté e depois era só seguir para Campos. A estrada logo acabou e começou uma das serras mais íngrimes e com a maior quantidade de cotovelos que já vi e percorri. Tinha curva que fazíamos em primeira marcha. Ficamos imaginando a Drag naquele trecho. Que dificuldade seria. Igual a um caminhão, abrindo as curvas. Em poucos minutos estávamos bem acima do nível do mar. Aquele ar quente do litoral já havia nos abandonado mas o dia ainda estava quente. Incrível a mudança dos mundos. Quase que sem notar, passamos da paisagem do mar e da horizontalidade mais uma vez para o meio das serras. Lá de cima paramos para avistar o belo mar lá embaixo, imenso e infinito emendando com o céu. Demos continuidade e a estrada que percorríamos, com reservas naturais, parecia aqueles filmes canadenses que tem ursos e acampamentos. Saímos em Taubaté como previsto. Passamos por um trecho pela Dutra e entramos para Campos do Jordão. A pista que se segue para lá é muito boa e duplicada. O cenário é muito bonito e a estrada cheia de curvas, o que torna o passeio muito agradável e divertido para  nós motociclistas.

Campos do Jordão

Antes de adentrar de vez para Campos, a parada obrigatória, na vista chinesa. Mais uma vez ficamos pensando na bela mudança de cenários, tão brusca e diferente.

Depois foi só subir mais um pouco a estrada e chegamos à clássica entrada da cidade, com aquele visual colonial alemão.

O Felipe comentou que tinha saído da praia e entrado na Alemanha. Realmente é muito bonito e diferente. Logo de cara vimos a placa da Baden Baden e a seguimos. Infelizmente não podíamos beber nada alcóolico e não tínhamos espaço para levar nada além das nossas fotos de recordação. Mas valeu demais. Paramos para almoçar na Mercearia Campos. Comi um belíssimo prato de trutas com batata. O Felipe preferiu uma pasta com molho branco. Nesta hora resolvemos fazer a homenagem final à frase da viagem: “o Binoca tinha que estar aqui!” Só que desta vez, com a inclusão de seu autor mor. O Binoca e o “Kbeça” tinham que estar aqui. O garçom registrou tudo.

Depois demos uma passada para fotos pela Baden Baden e resolvemos zarpar. Não queríamos ter o azar de pagar serração na volta da serra nem muito trânsito na Dutra. E da serração realmente escapamos. Pegamos um buraco numa das curvas na volta que nos fez literalmente sair pela tangente e invadir completamente a pista oposta. Ainda bem que não vinha nada do outro lado. Do trânsito na Dutra, acho que não existe Dutra sem trânsito, não escapamos. Ainda mais com as reformas que estão acontecendo por lá. Além disso, há vários pedágios, o que atrapalha muito a vida do motociclista. Depois de tudo isso, o mesmo caminho cansativo e travado de Juntas Provisórias, Bandeirantes, Farah Maluf e Anchieta para chegar em casa.

No total, rodamos mais de 450 quilômetros neste dia. Chegamos em casa por volta das 18h. O “Kbeça” tinha acabado de chegar.

Enfim, o fim

Voltamos na sexta-feira. Era para termos voltado no sábado. Tínhamos mais dois dias em SBC. Sábado curtimos um almoço com nosso tio Ricardo num dos clássicos restaurantes de São Bernardo do Campo, o gigantesco São Judas Tadeu. A noite queríamos ir a um bar de cerveja especial. Encontramos nosso amigo Daniel Arthur que mora em Sampa agora e fomos para a Vila Madalena. Lá fomos para o Melograno, mas já estava fechando. Ficamos no bar Quitandinha, conversando. Domigo era dia do clássico e bom almoço de família com o Klaxon, avós pai e mãe. Uma bela de uma comilança se seguiu de boas sobremesas e do jogo do Santos contra o Palmeiras. Este, o Santos perdeu. Mas fomos campeões.

Segunda cedinho, o Felipe foi embora para Belo Horizonte, sozinho. Eu ficaria mais uns dias para resolver algumas coisas. Chegou tranquilo e rápido. Fiquei em casa com a minha mãe, no meio de semana, curtinho a vida de adolescente de alguns anos atrás, quando apenas estudava e passava os dias jogando bola, vídeo-game e estudando. Uma sensação estranha mas que durou pouco. Na quarta-feira cedo, também saí cedo rumo à BH. Resolvi não fazer paradas e vim numa tocada só. Só parando sem descer da motocicleta, apenas para abastecer. Cheguei 12h cravado na garagem de casa.

Tinha acabado a trip. A viagem planejada com tanto tempo de antecedência tinha passado. É uma sensação estranha que todo mundo já deve ter vivido. De chegar de viagem. Ainda mais com aventuras, companheirismo, família e amizade.

Foi realmente uma experiência inesquecível. Aproveito para agradecer a todos os que estiveram conosco desde o começo, alguns que participaram por fora, lendo o blog. Outros que tinham que ter ido e não foram, como o Binho, a Gabi e a Dona Sônia. O Klaxon que esteve presente nos encontros de família e nos ajudou com a hospedagem na maravilhosa casa de sua namorada. Nossa prima Miriam que foi uma excelente companheira e guia, nosso amigo Daniel Arthur e claro, nossos queridos avós, que estiveram conosco o tempo todo. E pra finalizar é claro, os companheiros de viagem. O meu cunhado Felipe, que é meu amigo. E meu pai, o “Kbeça” Quadrada. Na verdade ele se chama Rubens Maglovsky.

Não sei se escreverei tanto assim nos nossos próximos passeios pois, espero, estes sejam muitos e não haja tempo!

Até a próxima!

Moto Trip – Part VII

Trindade para Paraty – RJ – dia 11 de março de 2010

Acordamos cedo e tomamos um bom café da manhã na pousada. Fomos direto procurar a cachoeira como tínhamos planejado no dia anterior. Pegamos a trilha que subia para a cachoeira e ficamos mais de meia hora rondando a corredeira, várias quebradas enlamaçadas e a mata fechada. Mas nada de chegar à bela queda que tanto falaram. Encontramos alguns casais que também estavam há bastante tempo procurando e nada. Depois de totalmente ensopados de suor, resultado da mata fechada e úmida, resolvemos desistir e ir à praia antes de almoçar e passar a tarde em Paraty.

A praia estava ótima. Cheia até certo ponto mas muito boa. A água estava fresquinha e o dia muito belo e ensolarado, com um grande céu azul. Ficamos um tempo nadando. Conversamos com uma menina que era parente de uns donos de pousada na vila. Eles tinham vindo do interior de São Paulo montar pousada há alguns anos atrás. Ela nos contou a história de que Trindade era um paraíso isolado até meados de 2000. Depois disso, descobriram o local e várias dessas famílias, principalmente do interior de São Paulo e Rio de Janeiro, resolveram tentar a sorte com pousadas e restaurantes. Depois disso, confirmou-se nosso incômodo e desconfiança das pessoas da vila por nos tratarem com tanta indiferença e até mesmo sem muito jeito pra coisa. Aquela sensação de um povo provinciano e do tratamento pouco profissional ficou claro e evidente depois desta conversa.

Voltamos para a pousada, tomamos uma ducha e nos preparamos para ir até Paraty. O correto seria colocar todo o equipamento que tínhamos. Pra chegar até Paraty é preciso pegar a estrada por mais de 10 km, em alta velocidade. Mesmo assim, a vontade de curtir o sol e a brisa falaram mais alto. E como estava tudo perfeito até agora, preferimos nem pensar no que poderia dar errado e saímos de bermuda, camiseta e tênis, no máximo com luvas. O “kbeça” ainda foi de calça e sapatos por causa do calor do motor da Drag.

Paraty é muito bonita. Uma belíssima arquitetura muito parecida com as cidades históricas de Minas Gerias, como Ouro Preto, Diamantina e Tiradentes. Só que com uma grande vantagem. O mar. As ruas de pedra, as construções coloniais, brancas com os dormentes tipicamente coloridos, as belas e grandes correntes que dividem as ruas, as portas enormes e janelas cheias de história em meio à plantas parasitas e flores, realmente nos fazem viajar por outras épocas.

Logo que chegamos estacionamos as motocicletas numa rua e fomos procurar um restaurante. Como bons turistas, paramos no primeiro com boa aparência. E valeu a pena. Ótimo serviço e comidas. No restaurante ficamos sabendo que as escunas da prefeitura só saíam de manhã. O garçom nos disse para irmos até a praia dos barqueiros e negociar direto com um deles um passeio pelas ilhas. E foi o que fizemos. Atravessamos uma larga rua até sair numa espécie de porto onde haviam vários barquinhos. Paramos para conversar com um barqueiro. Seu barco azul e branco se chamava Felipe, em homenagem ao filho. Ficamos sabendo depois que este barco era de 1980 e tinha passado por uma reforma. Coincidência ou não, o Felipe é da década de 80. E para sua tristeza é cruzeirense, azul e branco. Fomos com os “Felipes” num passeio de 2h pelas ilhas, com direito a parada para nadar no mar.

O passeio é maravilhoso. A brisa, o visual, a sensação de estar no barquinho e aquela enorme serra e mar à sua volta é impressionante. Vários peixes pulam pra fora do mar pra respirar ou comer. Depois de passar por algumas ilhas paramos em uma e o barco foi desligado. Era hora de dar um bom mergulho naquela belíssima piscina natural. Esquecemos nossas sungas e nadamos de cueca mesmo. O mar estava numa temperatura perfeita. Com o snorkel deu pra ver vários cardumes de peixes amarelos, estrelas do mar e outros animais marinhos. Na ilha vinham alguns roedores ver o que estava acontecendo e pegar comida. Um verdadeiro paraíso. O tempo de mergulho era curto, 15 minutos. Mas foi o suficiente pra aproveitar bem. Na volta já passavam das 16h e o céu estava muito belo, formando neblinas em volta da serra. Depois de descer, pagar e agradecer o barqueiro, fomos tomar água de coco e pegar as motocicletas para a volta. Antes passamos no banco, no posto e fomos embora.

Calmaria antes da tempestade

Como disse anteriormente, estava tudo perfeito até aqui. O máximo que tinha rolado eram aquelas discussões bestas de irmãos. Como já dito também, não fomos equipados para pegar a estrada. Mesmo assim, na volta, com todo aquele clima maravilhoso, o dia agradável que tínhamos passado e o final de tarde quente e amistoso, sem querer e sem pensar, percebi que no trecho da volta nos empolgamos um pouco e puxamos mais o acelerador. O “Kbeça” que sempre encabeçava a fila deu uma empolgada e este foi um dos raros momentos em que andamos mais forte. Aproveitei para testar a Falcon e ela não voltou a dar aquele problema de patinar, mesmo em velocidades mais altas. Tudo tranquilo. Não tem coisa melhor que dar uma puxada mais forte na motocicleta.

Chegando na entrada de Trindade, reduzimos e entramos na estradinha, o “Deus me Livre”. Tudo normal, a tarde ainda estava clara. Num dos trechos em que o “Kbeça” tinha escorregado na primeira vez em que passamos por lá, o Felipe fez um sinal com a mão, como se estivesse xingando e eu respondi logo atrás. Estávamos descendo, quando num dos trechos mais íngremes da estradinha, eu estava meio distraído olhando para o mar que surgia lá atrás da serra quando olho pra frente e me deparo com uma cena que não esperava. A Drag estava rabeando de um lado para o outro e o “Kbeça” voando por cima dela, caindo nas pedras no canto direito da estrada. Parecia que não era verdade. Não era possível que aquilo estava acontecendo. Passei o Felipe que deu uma reduzida e foi parando. Estacionei a Falcon na descida sem nem pensar direito e saí correndo, tirando o capacete e indo em direção ao “Kbeça”, que já tinha retirado seu capacete e estava gritando de dor. Dizia que estava sem ar e com muita dor no peito. Nisso, alguns carros que passavam pararam para ajudar. Depois de um tempo o “Kbeça” ficou mais calmo. Disse que estava bem e se levantou. Foi direto olhar a motocicleta. Esta ficou bem destruída. Não tinha mais como voltar com ela e também não sabíamos se havia algo mais grave com o acidentado. Chamamos a polícia e o resgate e lá se foi o “Kbeça”, louco da vida, para a Santa Casa de Paraty. Pra mim e pro Felipe, sobrou levar a Drag sem pedaleira direita e com o guidão torto até a pousada. Se já era meio ruim pilotá-la, foi ainda pior. Mas chegamos sem problemas e logo depois fomos até a Santa Casa saber como estavam as coisas. O médico disse que não tinha acontecido nada demais, fez algumas radiografias do peito e cabeça e deu alta para o paciente. O “Kbeça” voltou na minha garupa e paramos pra comprar alguns remédios e fazer o boletim de ocorrência, que demorou horas.

Depois disso tudo, vinha a parte mais chata, de avisar a mãe, o irmão, a mulher e alguns poucos parentes mais próximos. No dia seguinte iríamos ligar para o seguro e o “Kbeça” retornaria com o caminhão de reboque.

Ficou uma lição disso tudo? Claro que sim. O “Kbeça” deu muita sorte pois estava sem luvas e mesmo assim não machucou a mão. A motocicleta pesada, quase caiu em cima dele, o que teria tornado as coisas muito piores. Num trecho que teoricamente tínhamos achado muito tranquilo de passar, aconteceu o único acidente de todo o passeio. E poderia ter sido fatal. Todos concordamos que a Drag contribuiu bastante para isso pois não tem mesmo o DNA de fora de estrada, mesmo que este “fora” seja brando. Mas no final deu tudo certo. Hoje a moto já está prontinha. E também já deu tempo do “Kbeça” se acidentar novamente. Desta vez com um cachorro que o atropelou na rua, em São Paulo.

Faltavam apenas dois dias para encerrarmos nossa trip. Mas com o que havia acontecido não tinha mais clima. O “Kbeça” voltaria de carona com o caminhão do seguro e Felipe e eu retornaríamos para São Bernardo do Campo. Restava apenas decidir se passaríamos em Campos do Jordão ou não.

Moto Trip – Part VI

De Santiago, Maresias para Trindade, Paraty – RJ – dia 10 de março de 2010

Chegava ao fim nossa fase de estadias não pagas e em confortáveis e belas casas de parentes e conhecidos. Saindo de Santiago logo cedo, nosso destino era Trindade, em Paraty, Rio de Janeiro. Um trecho um pouco mais longo e, finalmente, chegando ao nosso terceiro e último estado programado, o Rio de Janeiro. Lembrando que Felipe e eu saímos de Minas Gerais. Nas primeiras programações cogitou-se ir até a cidade e praias do Rio. Depois resolvemos parar em Angra dos Reis e, por fim, em Paraty. Tudo isso para termos o prazer de poder voltar por Campos do Jordão com mais calma e poder pernoitar pelo menos uma vez nas montanhas frias.

Deixamos a chave da casa com o caseiro e caímos na estrada. No trecho incial pudemos rever todas as belas paisagens pelo caminho até Ilha Bela, que havíamos feito no dia anterior. Passamos por Caraguá, Ubatuba e ao longo do caminho mais paisagens maravilhosas eram vistas. Algumas registradas e postadas aqui. Fizemos apenas algumas paradas para fotos e para arrumar a bagagem do “Kbeça” na Drag, que não parava de pender para a direita e quase cair. Entrando no centro de Ubatuba, eu estava na frente por causa do problema da Falcon, que poderia voltar a qualquer momento (descobri depois com o mecânico aqui em BH, que o probelma que tive é normal e se deu deivido as altas temperaturas em que nos encontrávamos) e também para decidir onde parar para fazer as fotos. E foi nesta mudança que o “Kbeça” se perdeu de nós numa rotatória. Depois de tentar ligar sem sucesso para o seu celular algumas vezes e ficarmos parados no mesmo lugar durante uns 10 minutos, resolvi ir atrás dele enquanto o Felipe esperva numa praça. Mas não obtive sucesso na minha busca. Quando estava voltando pra encontrar com o Felipe, senti o celular vibrando e era ele. Estava nos esperando um pouco à frente, na continuação da estrada. Nos encontramos e seguimos em frente. Ubatuba é a maior das cidades do litoral norte. Não sei dizer se é a maior por extensão e população. Mas é uma das mais visitadas, pelo grande número de praias e também foi o trecho que mais demorou para passar durante a viagem.

Entramos no estado do Rio de Janeiro. Não vimos nenhuma placa de Trindade, apenas de Paraty. E por isso mesmo, passamos direto pela entrada, parando em Paraty. Havia algumas obras antes de Trindade e ficamos parados uns 10 minutos na estrada. Estavam fazendo reforços nas barragens de terra, na beira da pista, pois estas estavam desbarrancando para dentro da estrada. Voltamos, achamos a entrada e ficamos conhecendo a famosa e temida descida para Trindade. Um dos trechos desta descida, como havia avisado o tal vendedor lá em Boiçucanga, é conhecido como “Deus me livre”. É tudo asfaltado e a princípio não achamos nada demais. Existem algumas pedras, terra, areia, curvas bem fortes, verdadeiros cotovelos e em alguns trechos há um pouco de água passando pela pista. Fizemos todo o trajeto com extremo cuidado. Mas tirando uma saída de lado da Drag, não aconteceu nada demais. Ao chegar em Trindade e avistar a bela praia de pedras e surfistas da entrada, passamos por uma pequena corredeira que desce da montanha e passa sobre as pedras, aquelas parecendo sabão de tão lisas. Mais uma vez, fizemos o pequeno trecho com todo o cuidado e pronto, adentramos a vila de Trindade.

Trindade

Todos nos disseram que Trindade era o verdadeiro paraíso. Várias praias diferentes, piscina natural, cachoeiras, boas pousadas e restaurantes, muita gente diferente, turistas e um visual de lugar esquecido, que dava à ela, esta fama de “paraíso”. Ao passar por esta única rua do vilarejo, todos nós em motocicletas e encapotados nas nossas roupas, mais uma vez viramos uma espécie de atração turística. Olhamos algumas pousadas pelo lado de fora mesmo e não sentimos muita confiança. Continuamos andando quando um sujeito, desses sempre alerta a novos turistas, perguntou se estávamos procurando uma pousada e de que tipo seria esta. Conversei um pouco com ele e acabou nos indicando a pousada Dois Irmãos. Era numa transversal da rua principal. Uma das melhores fachadas dentre todas as pousadas, é verdade. Mas ao entrar, perguntar os preços e se havia vagas, que era óbvio que havia, a recepção da dona não foi nada amigável. E eu que não sou nem um pouco paciente, já estava com vontade de ir embora. Resolvemos visitar o quarto e constatamos que não tinha nada demais. Limpo, arrumado, pequeno e bem mediano. Mas resolvemos ficar lá mesmo. Farei uma pausa para um adendo sobre este episódio. Por trabalhar com comunicação e algumas Prefeituras, dentre elas, algumas com forte apelo turístico, já participei de workshops e várias reuniões sobre turismo aqui em Minas Gerais. A coisa que mais espanta e atraí turistas à um local são as pessoas e a receptividade com que estes são recebidos. Mesmo que o local não tenha grandes atrativos. Se tiver um povo local amistoso e que trate bem os turistas e visitantes da cidade, todos saem dizendo que a visita foi maravilhosa. Isto é realmente um fato. Quem não quer ser bem tratado? Um dado real, de um estudo que pude ter acesso num workshop do pessoal da Marca Brasil, especializado neste ramo. Mesmo assim, você numa viagem de motocicleta e com calor, cheio de equipamento, chega à uma pousada, que não é nem um pouco barata pelo que oferece e ainda é recebido com má vontade. Como se os donos estivessem fazendo um favor em nos receber e não o contrário. É por isso que queria dar meia volta. <em>Voilà</em>, queríamos é ir à praia e curtir. E até aqui estava tudo indo muito bem.

O visual de Trindade, vamos falar a verdade, não é nem um pouco impressionante. A vila e sua única rua principal tem um aspecto selvagem mas ao mesmo tempo um outro aspecto muito mais de periferia. Há alguns restaurantes legais e outros horríveis, sendo estes a maioria. Um amontoado de construções e casinhas muito mal acabadas, com tijolos aparentes e reboco à vista. Algumas conseguem captar aquele espírito de praia, de madeira e construção despojada. Mas no meio da bagunça toda das contruções mal feitas, não convence muito. No geral, parece a periferia suburbana de qualquer cidade da capital, só que situada na areia da praia. Há muitos “campings” e muitos turistas e caiçaras de “bobeira” ao redor da vila e das praias. A grande maioria dos turistas, são aqueles gringos mochileiros. Tipos que parecem ter vindo da Argentina ou do Chile a pé e sem nehum tostão no bolso, pegando carona com caminhoneiros ou quem passasse na estrada. Eles ficavam inclusive pedindo carona pra sair de Trindade. Mesmo havendo linha de ônibus. Falando cruamente, acho que os mochileiros não tinha dinheiro nem pro “busão”. E como em toda praia “selvagem”, os gringos europeus se misturam aos caiçaras e aos latinos, formando aquele grupo de aproveitadores e aproveitados. Mas todos se dando muito bem, não nos incomodaram nem um pouco. Estou apenas fazemdo o relato verdadeiro do que achei do lugar. E esse conjunto de coisas, mais o fato de, logo de cara, não ser bem recebido pela dona da pousada, me deixaram uma primeira impressão horrível de Trindade. E como todos sabem, a primeira impressão é a que fica. Se eu fosse um desses paulistas bairristas, com certeza diria que foi porquê chegamos ao Rio de Janeiro. Mas em momento algum tivemos este tipo de pensamento, primário e infantil e que discordo completamente.

Fomos à praia finalmente. A primeira praia, que não me lembro como chamavam-na segue o espírito da vila. Já não começa muito bem pois, para entrar na praia, você passa por dentro de uns quiosques ou bares bem ruins. Eles são também todos amontoados um em cima do outro. Não tem um visual legal. A praia é minúscula. Mas para salvar tudo isso, o mar e o visual das serras e vegetação é muito bonito, como em todo o litoral norte. Por isso, o melhor é ficar olhando para o mar e para o horizonte infinito. Ficamos num bar situado bem no meio desta praia pois não havia opção de sentar em outro lugar. Nem mesmo na areia havia espaço ou sombra pois a praia é realmente muito pequena. Um sujeito cabeludo, figura peculiar nos atendeu. Ele se chamava Ricardo mas o “Kbeça” insistiu em chamá-lo de “Marquinhos”. Até que uma hora o cara olhou por cima dos óculos e corrigindo disse constrangido: – Marquinhos! Ele me contou que a bebida típica da região se chamava Gabriela. Cachaça curtida no cravo e na canela. Mas estava tão calor que ficamos na cerveja mesmo. Depois de uns mergulhos fomos almoçar. Escolhemos um restaurante bem simples e de pratos feitos. Não há requinte em Trindade. Ainda bem que tínhamos aproveitado bem este tipo de coisa em outros lugares. Lá é tudo bem simples. Não que isso seja ruim. Mas se você quiser algo mais bonito, um restaurante com um belo tratamento, vinho ou champagne, esqueça. Lá não é o lugar pra isso. O meu “PF” de peixe frito estava muito gostoso. E o bobó de camarão que o Felipe e o “Kbeça” comeram também estava excelente, segundo eles.

Depois do almoço, descansamos um pouco e fomos visitar a outra praia. São duas seguidas. A Praia do Meio e a Praia do Cachadaço. Na segunda há uma trilha até a Piscina Natural do Cachadaço. Pode-se conhecer esta piscina de barco. Nós preferimos esta opção. E o passeio de barquinho de alumínio foi divertido. A piscina natural é realmente muito bonita. Há pedras enormes enterradas no meio do mar raso e da praia que formam a tal piscina natural. Uma pena que fomos quando a maré estava muito baixa e não dava nem pra mergulhar. Depois de voltar, ficamos na Praia do Meio, curtindo o mar e o final de tarde. Lá sim, estava um paraíso como nos disseram. Calmo, belo e sem muitas daquelas construções feias para atrapalhar o visual selvagem. Havia também na entrada um enorme Chapéu de Sol, uma de minhas árvores preferidas muito comum no litoral.

A noite procuramos um bom restaurante e comemos peixe frito com cerveja. Ficamos conversando e depois de dar algumas voltas na rua principal e comer açaí na tigela, fomos para o quarto da pousada assistir Santos e Naviraiense, pela Copa do Brasil. O Santástico enfiou 10×0 no pobre time do Naviraiense.

No dia seguinte decidimos que íamos visitar a cachoeira e passar na praia. Depois iríamos seguir para Paraty, almoçar e andar de barco.