“Vô José”

Hoje fiz um pequeno texto para apresentar os quadros do meu irmão aos amigos do facebook. E pensei em postar um pouco desta história.

Para falar dos quadros do Binho, que se chama Ruben, tenho que falar mais uma vez aqui do nosso avô José Maglovsky. Este era o pintor da família. Tinha uma técnica apurada. Belas pinceladas, as vezes fortes, mas quase sempre suaves. Era um amante de belas paisagens. Praticamente todos os seus quadros representavam marinas, bosques, casas antigas em encostas, montanhas, serras, luares, lagos, algumas flores, alpes, jardins. Uma espécie de Tom Jobim da imagem.

Ela era muito bom nisso. Engraçado é que ele não gostava de encomendas. Uma vez um amigo pediu um quadro do Rio de Janeiro, aquele cenário clássico do Pão de Açucar. Ele sofreu pra fazer. Protelou enquanto pôde. Mas acabou fazendo e ficou bom. Era um mestre nisso. Eu sempre que ia na casa deles, os avós, subia no atelier pela escada caracol para bisbilhotar qual a nova empreitada do “Vô José”. Sempre havia algo novo. Uma vez um conhecido que tinha um veleiro encomendou um quadro enorme do lindo barco a velas para colocar dentro dele. Ficou lindo. Fiquei impressionado com a capacidade de representar tão bem.

Eu gosto muito dos quadros do José Maglovsky. Mas ele tinha algumas gravuras, ilustrações feitas com nanquim, da época da Belas Artes que eram maravilhosas. Gostaria de saber onde foi parar isso.

Em 1997 tivemos algumas aulas com ele. Pintamos o mesmo modelo. Uma paisagem de neve. Neve é considerado um dos temas mais difíceis de se pintar. Mas até que saiu, com uma ajudinha ou outra. Nesta época das aulas de pintura já dava pra notar, a quem fosse mais atento, que o Binho tinha captado melhor a técnica, tinha mais dom para isso. Eu gostava de lápis, canetas, nanquim. Não conseguia detalhar nada com pincel, nunca consegui entender muito bem essa arte.

Como sou teimoso, há menos de 3 anos, um pouco antes de me mudar em definitivo para morar com a Gabi, minha mulher, resolvi tentar mais um pouco nessa arte. Estava cansado da reforma do apartamento, de esperar, de fazer as mesmas coisas e resolvi. De ímpeto, fui numa loja de artes em BH e comprei cavalete, um monte de tintas da melhor marca, alguns pincéis bons, outros já possuía, e algumas espátulas. Eu achava que não era bom no pincel mas que na espátula iria me dar bem. O “Vô José” tinha quadros maravilhosos de espátulas. E meu amigo Dominique também. Achei que seria fácil. Henry Miler, meu escritor favorito, pintava. Dizia que eram horríveis. Mas pintava! Comprei apenas uma tela. Seria aquela ou nenhuma.

Com todo aquele aparato em casa, no meu quarto, tudo pronto, comecei a pensar num motivo, num tema. Não vinha nada. Tentei fazer faixas coloridas, influenciado pela comunidade Color Lovers. Ficou terrível. Cores feias, tudo sujo. Foram várias tentativas de pintar essas faixas, mais de uma semana. Desisti de vez. No site é muito mais fácil e rápido. E não tem que ficar lavando o pincel. Um dia à noite, cansado, estava revendo o filme O Último Samurai, aquele com o Tom Cruise. Sou fascinado por mitologia, história, principalmente pela era de ferro e da espada. Neste filme, que conta o fim dos verdadeiros samurais, tem alguns cenários lindos. Fiquei olhando aquelas paisagens e imaginando que aquele Japão de final de inverno daria uma excelente imagem. Um excelente quadro. Dei pausa no frame desejado para a inspiração e lá se foram mais tentativas frustradas em mais uma semana inteira.

Lavei e separei tudo, pintei a tela de branco. No dia seguinte perguntei se o Binho queria o material, pois sempre soubemos que ele tinha mais facilidade com aquilo tudo. Ele quis. E logo na primeira investida, naquela minha primeira tela, ele fez um belíssimo retrato. Um senhor que parecia muito nosso avô José Maglovsky. Deve ter sido insconsciente. Eu ohei aquelas cores, aquelas pinceladas, analisei bem e nem acreditei. Em um único dia, o DJ Binho tinha feito um belíssimo quadro. Fui presenteado com ele. Que ironia. Mas é claro que estou brincando. Foi uma ironia boa. Achei muito bonito e gostei muito de recebê-lo. O nome do quadro? “Vô José”

Para ver mais quadros do Ruben clique aqui.

Motocicletas no Sangue

Nunca falei sobre isso no blog. É verdade que fiquei mais de 10 anos sem ter uma moto ou mesmo pilotar uma. Dizem que moto é como cachaça. Uma vez que se prova, não larga mais. Tenho que admitir que é um verdadeiro vício. E não só pelo fato de você pilotar uma motocicleta. Quando temos um modelo, compramos outro já pensando no próximo. É engraçado e parece um consumismo louco. Mas não é. Cada moto lançada é um objeto de desejo de todos os motociclistas, independente do modelo ou categoria.

Mas antes de falar sobre mim e as motos, vou voltar um pouco no tempo e falar sobre minha família e a veia motociclista que, ainda bem, sempre esteve presente entre nós.

Minhas primeiras lembranças da infância são rodeadas de motocicletas e seus barulhos agudos, típico dos motores 2 tempos da época. Mas com meu avô José, fiquei sabendo das histórias dele, do pai dele e de seus irmãos com motocicletas antigas, fazendo acrobacias e peripércias em plena VIa Anchieta, em São Bernardo do Campo, São Paulo, quando nem asfaltada direito ela era. Velhos tempos mesmo. Há algumas fotos muito belas desses momentos. Algumas postarei aqui. Voltando às minhas lembranças, é claro que ná época que comecei a tê-las, meu avô não pilotava mais. Mas o resto da família toda sim.

E o mais incrível, as mulheres também. Lembro de um episódio curioso em que minha tia Rosana fez um esfoço enorme para comprar uma DT 180, branca, do modelo com farol redondo ainda, para dar de presente para o marido dela, meu tio Carlos, no aniversário de casamento. Num final de tarde de sexta-feira, chegavam ela, meu pai e a DT. Eles deram uma capricahada na limpeza da moto. O Carlos ficou muito feliz com o presente, nem preciso dizer né. MInhas tias Rosana e Raquel tiveram respectivamente uma Yamaha RDZ 135 (famosa rabo de CB400) e outra Yamaha TT125 (primeira cross do mercado, 2 tempos também. TT quer dizer Todo Terreno). A galera da família curte uma Yamaha.

Antes disso, lembro quando era bem pequeno e meu pai tinha uma moto verde, achava que era uma Honda CG, bem antiga. Mas tive a confirmação óbvia que era uma Yamaha RS 125 importada! Teve uma época muito divertida que ele tinha uma lambreta. Lambreta de verdade, italiana e laranja. Saíamos eu e o Binho, meu irmão, na garupa do meu pai para passear. Eram outros tempos e as pessoas eram mais desencanadas. Era normal irmos passear a família toda na moto. Todos de capacete e jaqueta, mas quatro pessoas numa moto, mesmo com crianças, era engraçado e perigoso. Algumas vezes eu dormina na garupa do meu pai e as pessoas nos carros ficavam buzinando para ele, avisando que eu estava dormindo. Outra coisa que marcou foi quando meu tio Helmut, caiu e quebrou a clavícula e depois disso nunca mais quis ter motos grandes. Muitos ficam traumatizados. Meu tio Roberto, que está na Suiça hoje, tinha uma Agrale. Era típico da época também, motor 2 tempos, azul e branca. Essa moto meu pai comprou depois. Hoje, o roberto tem uma Suzuki Intruder 1500 nas terras geladas. Mas as motos que o “Kbeça Quadrada”, como apelidei meu pai carinhosamente (risos), sempre gostou, eram as Yamaha DT 180. A moto era bem bonita pra época e haviam pouquíssimas opções no mercado também. Quem queria ter moto naquela época, tinha Honda e Yamaha como opção. E depois algumas Agrales, mas nao tinham a mesma qualidade das duas primeiras. Há vários registros de viagens do meu pai com minha mãe e meus tios viajando pelo litoral norte de SP. Ou para o sul do país, Rio de Janeiro etc, com essas motos 180 cc.

Uma boa lembraça que guardo até hoje era ficar subindo na moto, quando parada, estacionada e fingir que estava pilotando pelos mais diversos lugares. Fazíamos isso nas nossas bicicletas, fingindo que estávamos em motos. Até o barulho fazíamos. Mas quando a moto chegava, do meu pai ou de algum colega, quentinha ainda e com aquele cheiro característico de óleo 2 tempos e combustível era muito bom. Um amigo do “Kbeça” chamado Hermes, comprou a moto que era a sensação do momento no final dos anos 80 e começo de 90. Um Yamaha RD 350. A moto que mais andava no mercado nacional. Subir naquela coisa carenada era excitante.

Outra lembrança nem tão boa eram as baixas da época de inflações absurdas no nosso país. O “Kbeça” tinha que se desfazer da moto para pagar outras coisas e manter a família. Mas isso era temporário, sempre rolava uma moto nova, ou melhor, uma DT nova.

Quando íamos à praia, era a libertação dos que ainda não tinham carteira de moto. Podíamos ficar pilotando na praia um tempão, com aquela brisa no rosto e o mar enorme ao lado, muito bom. Fomos crescendo, ficando mais velhos, tirando carteira de moto, ou carta como falamos na minha terra e, as motos foram ficando cada vez mais perto de nós. Quando tirei minha carta, nós tínhamos duas motos em casa. Uma RD 135 Z da Yamaha, branca, 2 tempos. A outra era uma Honda CB 450 DX, vermelha e preta, 4 tempos, conservadíssima. Logo tirei a carteira e nem curti muito as máquinas pois elas foram vendidas.

Chegando aqui em BH, só fui ter moto de novo em 2008. Comprei uma pequena Suzuki Yes 125 cc, prata, pra ir trabalhar e me locomover. Com isso acabei contaminando mais um recente membro da família. Embora ele diga que já gostava de moto, nunca tinha tido uma. Felipe (Frango) meu cunhado, comprou uma bela Yamaha 250 XTZ, motard. É uma bela máquina, toda dark. Eu peguei recentemente uma Honda Falcon 400. Também preta, com detalhes cinza. O resto da família toda tem motos até hoje. Meus primos Dago e Micky tem a Honda Sahaara 350. O Ronny tem uma Suzuki Marauder 800, que o “Kabeça” está pensando em comprar. DJ BInho, ficou com a minha Suzuki Yes 125.

O motivo deste post era justamente explicar nossa viagem, que começa nesta próxima sexta-feira, dia 5 de março de 2010. Sairemos (eu e Felipe) de Belo Horizonte, rumo a São Bernardo do Campo, para encontrar com meu pai, o “Kabeça Quadrada”, que está com uma linda Drag Star 600, preta. E depois disso, partir rumo ao litoral norte de SP, pela Rio-Santos, até Angra dos Reis, voltando por Campos do Jordão. A viagem está programada desde outbro do ano passado. E é verdade que nossas mulheres não aguentam mais nos ouvir falando disso ou comprando mais equipamentos. Mas como eu disse no começo, é uma cachaça e não tem jeito. É claro que tudo será meticulosamente registrado e depois postado aqui. Só uma coisa não ocorreu como planejado. O DJ Binho, não poderá nos acompanhar nesta viagem. Mas na próxima, esperamos ele com a sua moto e claro, com uma bandana na cabeça!

Este post fez sucesso. Gostaria de agradecer ao Youssef, do blog do Tiozão pelo post que fez em seu blog a respeito da nossa família. E também agradecer a nossa parente, Irene Maglowsch Starck, pelas informações sobre as fotos antigas. Um abraço a todos!