Interview on Blur Designs

Em fevereiro deste ano, fui convidado por Frazer Wilson, da comunidade Blur Designs, para participar de uma entrevista. Esta seria sobre o meu trabalho gráfico para a minha banda, EnjoyLive. Tudo isto se deu depois do próprio Wilson ter me convidado para fazer parte do Blur, ao ver meus trabalhos no Bëhance. A capa do Synthmatic entrou para os trabalhos selecionados da comunidade. Abaixo a entrevista completa em português. No final do post, os links para a entrevista original no blog blur, a comunidade Blur Designs e minha página lá.

Fale-nos sobre a criação para o EnjoyLive.
A banda nasceu em Belo Horizonte, em agosto de 2000, logo que tinha chegado de São Paulo, na Escola de Design – UEMG, onde conheci o designer e músico Marcos Loureiro. Ou seja, querendo ou não, foi a junção de 2 designers na música. Acho que por isso e também pelo tipo de música que queríamos fazer, sempre tivemos muito cuidado com os conceitos visuais e com a estética da banda. As atividades de composição e letras estavam sempre recheadas desses conceitos. O nome que a banda teria, o tipo de logo, as cores que usaríamos, o estilo, direção de arte e fotografia, sempre pensamos no projeto como um todo. Passados estes momentos iniciais e as muitas mudanças que tivemos, começamos a compor e os discos a sair. O design das capas sempre esteve totalmente ligado ao momento que nós vivíamos com a banda. Além disso, ao participar da composição, arranjo, letras e finalização das músicas, sempre fiquei muito dentro de todo o processo, desde o começo das ideias até a masterização e arte dos projetos. Isso fez com que pudesse brincar com o tudo o que eu já sabia sobre os discos e sua história, não precisando de um briefing de um terceiro. O máximo que fazíamos era trocar algumas ideias sobre os conceitos que mais se aproximavam do disco na questão visual e, a partir daí, o trabalho se desenvolvia com muita facilidade. O som sempre foi eletrônico. Mas no começo era bem gótico. Tinha uma aura dark e isso foi influência para o design. Todos os projetos que desenvolvi para o Enjoy, desde o logo até as capas de CD, site, Twitter, Myspace e vídeos sempre estiveram inseridos no momento da banda. Por exemplo, no final de 2005 lançávamos o disco Synthmatic. Foi uma sequência de acontecimentos importantes que tiveram incidência direta nos resultados do que íamos fazer. Um membro da banda tinha saído de forma não amigável para ambos os lados. Tínhamos praticamente perdido um disco inteiro por isso. Tivemos que nos acertar e resolver como seria o novo som. Apenas 3 iriam fazer o que 4 faziam. No final do disco, na masterização, percebemos que tínhamos um disco nervoso, bem emotivo e que misturava tudo isso já com nosso som híbrido, pesado e de batidas dançantes. A capa do disco resume bem isso. Uma amálgama do símbolo do Enjoy (kpetão), que eu havia desenvolvido em 2004 para o lançamento do nosso primeiro site, unido às nossas faces. Virou uma ilustração sintética do que nós e o Enjoy éramos – Synthmatic. Depois disso a banda passou por mais mudanças e os conceitos gráficos sempre acompanharam tudo. Acho que o mais importante sobre o meu desgin para o Enjoy é justamente o que eu disse sobre o briefing e conceito. Eu já estou por dentro de tudo e assim fica muito mais fácil criar e ousar. Posso fazer praticamente o que quiser neste sentido pois, depois de passar muito tempo num projeto, participando de todas as etapas, é praticamente impossível não absorver o conteúdo e depois deixá-los transparecer nos resultados.

Se você tivesse que descrever seu estilo de design em 3 palavras?
Eclético, Meticuloso, Ousado (tive muita dificuldade em achar essas 3 palavras. Foi um bom exercício.)

Se você pudesse escolher seria músico ou designer?
As duas coisas tem muitas particularidades e similaridades. É preciso ser criativo, cuidadoso, pesquisador, organizado, conhecedor, talentoso, habilidoso e proativo. E nos dois é difícil provar que é algo que faz diferença e que se pode e deve ganhar dinheiro com eles. Acho que nunca conseguiria ter um sem o outro. Mas se fosse pra escolher realmente, seria músico. Gostaria de saber como seria viver apenas compondo e fazendo música, tocando por aí. Mas é claro, coitado do designer que fosse fazer minhas capas e artes, chegaria nele com um briefing bem meticuloso e o resultado teria que me surpreender e agradar, se não… Neste caso acho que o músico daria lugar ao desginer e vice-versa.

Você acha mais criativo fazer design para trabalhos impresso ou para web?
O projeto em si e sua vontade de desenvolvê-lo é que pode limitar ou soltar a criação. No caso dos trabalhos impressos, ficamos presos aos tipos de impressão, papel, formatos etc. Mas acho que é perfeitamente possível desenvolver trabalhos criativos, bons e diferentes nos impressos. Sem contar as coisas que se pode fazer com tecnologia hoje. Na web temos quase que os mesmos limites de formato, tela, velocidade, transimissão etc mas é algo intangível. Há coisas que você só pode fazer na web, dando uma sensação maior de liberdade e criatividade. Mas por incrível que pareça eu gosto muito dos impressos e de poder sentir e pegar nos resultados finais dos projetos com as mãos. Ver um logo que você criou impresso na etiqueta da camiseta, na fachada da loja, no carro, no cartão, na embalagem, na sacola, no site, é algo bem recompensador.

O Brazil será campeão da Copa do Mundo neste verão?
Bem, aqui no Brasil será inverno na época, assim como na sede da Copa do Mundo, a África do Sul (rs). Eu acho que as copas estão relacionadas a outras coisas que não só vencer pelo futebol em si. Eu não gosto do estilo do Dunga de comandar o time. Não tem cara de Brasil a que nos acostumamos ver, com um futebol leve, bonito e de toque de bola rápido e envolvente, como meu time, o Santos, vem jogando atualmente. Temos craques de bola mas o técnico preferiu se render ao estilo europeu de retranca e marcação forte, que definitivamente não é a nossa praia. Mas mesmo assim, acho que o Brasil é sim um forte candidato a campeão do mundo mais uma vez, até pelo talento individual dos jogadores. Acho também que outros países podem ter esse mérito. Pra mim, levando-se em conta o momento, Inglaterra, Espanha, Itália e Brasil são os fortes candidatos. Mas ainda bem que é uma Copa do Mundo de futebol e, como tudo no futebol, poderemos ter surpresas.

Se você tivesse que fazer uma pergunta para um designer numa entrevista, qual seria esta pergunta?
Será que ele escolheria outra profissão se pudesse voltar no tempo?

Post original da entrevista

Blog Blur Designs

Comunidade Blur Designs

Minha página no Blur Designs

Anúncios

Histórias em Quadrinhos

Estava mexendo nos meus arquivos antigos (de papel de verdade) para fazer um documento e achei minha inscrição para um workshop de quadrinhos. Este workshop, com David Campiti, aconteceu em Belo Horizonte, em 2000 ou 2001, não me lembro exatamente. Foi realizado pelo pessoal do Big Jack e embora legal e divertido, principalmente para jovens ainda empolgados com quadrinhos, como eu na época, o foco era o mercado americano. Embora ainda fosse fã dos quadrinhos americanos, não estava muito empolgado com a ideia de saber como era o esquema para entrar no mercado de lá e virar desenhista da Marvel, DC, Image ou Dark Horse. Gostava e ainda gosto da arte dos quadrinhos.

Esta minha ideia já tinha ido por água abaixo muito tempo antes, antes de chegar em BH, quando visitei o pessoal da Fábrica de Quadrinhos e percebi que não tinha o talento certo para fazer quadrinhos de verdade. Narrativa, agilidade para rascunhos específicos, memória referêncial grande, qualidades e habilidades fundamentais para qualquer quadrinista.

No workshop tivemos informações sobre o que os editores americanos pensavam e gostavam. Como é a posição correta e clássica do Superman num quadro de abertura de página inteira, posição do Ciclope e dos X-MEN juntos, plano americano sempre em voga, estrutura dos personagens, coisas como essas não faziam mais a minha cabeça. De qualquer forma foi válido. Ficamos sábado e domingo lá ouvindo o Campiti, que tem um estúdio chamado Glass House Graphics, onde leva talentos do mundo todo, principalmente do Brasil, para agenciar nas grandes editoras do EUA e, claro, seus próprios projetos. Falou sobre tudo. Desenhistas que sabiam desenhar grandes desenhos posters mas não sabiam fazer narrativa (me vi um pouco nesse comentário dele, rs), jovens que também se achavam desenhistas copiando o estilo de outros famosos desenhistas, brasileiros de sucesso copiando americanos e se dando mal. Até exemplos de quadrinhos mal desenhados mas que tiveram que sair mesmo assim para cumprir o prazo da revista. Roteiristas que quase acabaram com personagens clássicos e vendávies, como o Wolverine na época em que perdeu o Adamantium e virou uma fera ridícula sem nariz. No fundo, tudo não passa de um grande mercado. E eu já sabia disso, não queria saber como era lá no fundo e muito menos trabalhar nisso.

Conheci alguns garotos empolgados com quadrinhos, sonhando em serem desenhistas famosos lá fora e no final do workshop tomando aquele banho de água fria do Campiti, analisando os desenhos da galera friamente. Normal, o cara é um profissional e tem mais que dar a real na molecada. Mas eu não levei meus desenhos pra ele ver. Sabia que meu estilo não funcionava para o “mercado americano” que nós brasileiros tanto lemos, mas também sabia e sempre soube que toda arte é válida e tem seu lugar. Alguns garotos ficaram chateados ao ouvir em inglês ou numa tradução simultâne mais ou menos, que seus desenhos e rafs não eram bons para “eles”. Mas o workshop era para isso mesmo e eu acho que consegui captar o que me interessava.

Escrevendo sobre isso aqui, comecei a ver o tanto de tempo que fiquei lendo quadrinhos, apreciando esta arte maravilhosa. Quem dera já conhecesse os europeus e alternativos. Mas era divertido, chegar na banca, religiosamente a cada 15 ou 30 dias para pegar a nova edição de Conan, Batman ou X-MEN. Aliás, Conan é fora desse mercado na minha opinião. Embora muito bem explorado por alguns roteirista e desenhistas, como a dupla clássica Roy Thomas e John Buscema, e muito mal por outras, como as relançadas recentemente pela Dark Hosre, sempre foi um verdadeiro herói com história própria.

Acho que todo garoto é fascinado por quadrinhos numa certa época de sua vida. Alguns levam para semrpe, como é o meu caso. Não leio mais X-MEN nem Batman, mas gosto de quadrinhos em geral. É uma arte belíssima. Gosto de lembrar da época em que eles eram preto e branco e em papel jornal, depois foram ficando no formato americano, com papel couchê liso, com pintura computadorizada. Hoje os quadrinhos são verdadeiras pinturas cheias de efeitos de Photoshop e Painter. É legal mas nada se compara aos traços PB de antigamente de Hugo Pratt com Corto Maltese ou do já falado John Buscema e claro, dos mestres Milo Manara e Will Eisner, só para citar alguns.

Descobri um blog cheio de quadrinhos americanos completos para download hqproject. O lema dele é COMPARTILHAR NÃO É PIRATEAR.

Miles Davis – E.S.P

Tudo bem, falar de Miles Davis, ou melhor, falar bem de Miles Davis, é chover no molhado. Pode até ser. Mas quando se fala de música, especialmente de Jazz, acho que não tem essa de chover no molhado. Repetir elogios ou críticas positivas não passa de uma obrigação.

Navegando pela net, rapidamente pode-se achar vários textos e biografias sobre este artista único. No site Allmusic tem de tudo. Interessante foi um blog que achei estes dias, hipnotizado pelo disco da foto. O blog do Jojó. Nele tem um pequeno texto extraído do site já conhecido ejazz e uma observação interessante de um amigo do Jojó. “Um amigo querido diz que as pessoas, quando são jovens gostam do pop, com o passar do tempo descobrem a música erudita e acabam no jazz.”

No meu caso, poderia afirmar que este “pop” é na verdade o technopop e a new wave dos ano 80. A música erudita, clássica, folk, country, sempre estiveam presente em casa. Mas nunca fui muito de ouví-las sozinho. Recentemente, em 2002, comecei a ouvir alguns compositores de jazz. Miles Davis sempre foi o preferido. Depois de ficar viciado no Kind of Blue, “default” pra qualquer iniciante que se apaixone por este estilo de música e passar por outros mais alternativos dele como A Tribute to Jack Johnson, voltei uns anos na discografia e estou há meses repetindo o E.S.P. A primeira música também chamada E.S.P. é lieralmente hipnotizante. Mas a que mais gosto de todo o disco é a penúltima, Iris. Com um começo classudo e com uma belíssima linha de trompete no melhor estilo Miles, suave e simpática, não dá vontade de parar de ouvir. A segunda parte é muito boa e nela você começa a entrar de cabeça no mundo desta criação. Me dá uma sensação muito boa ouví-la. A cada dia que passa estou cada vez mais exigente para ouvir música. E, ao que parece, cada vez mais “velho” no gosto musical. O que posso dizer, é uma coisa boa.

Pra quem quiser conhecer, no site do UOL é possível ouvir pelo streaming. Vale a pena.

Going Down to Cuba

E ouvindo este som maravilhoso, de Jackson Browne, faço mais este post aqui no Colosso. É até apropriado, uma música em homenagem à Cuba, num blog que tem por nome o título de um livro de viagens.

Quando escutei esta música pela primeira vez, achei que ela tinha um clima muito bom. Era muito feliz, tudo limpo, saudoso, e continuo achando isso. Só que agora, acho muito melhor do que no começo. Parece uma daquelas músicas de introduções de vinhetas para comerciais bem feitos. Aquele pianinho no começo da música, você consegue ate imaginar um dia ensolarado, num belo café da manhã, antes de fazer os últimos preparativos e, pegar o carro pra viajar. Mas não é só isso. A música é do disco – Time the Conquerer – que é um disco revoltado contra Bush e EUA. Esta música, bela e bem humorada, conta que o interlocutor vai viajar pra Cuba, com os amigos, com a banda, num antigo Chevrolet, com transmissão soviética. O caminho será conduzido pelo luar caribenho e logo eles chegarão ao lugar onde o rítmo nunca acaba. O instrumental e os arranjos da música são perfeitos, com os backs femininos, solinho de guitarr com um pianinho perfeito, ao melhor estilo das músicas caribenhas. A batera está na medida certa e os pratos são muito bem gravados, cristalinos, assim como todo o resto. Vale a pena ouvir isso muitas vezes.

A música me encantou tanto que eu comecei a tentar pintar telas mais uma vez, só pra pintar esta “trip”. Tentei aproveitar minha veia de artista, herdada do vô José mas, mais uma vez, me dei mal. Não tem jeito mesmo. Meu negócio com as artes é papel, caneta, e lápis. Computador também. Como não tenho muita paciência pra nada, esta tentativa durou, na verdade, pouco mais de 15 dias e, desisti de fazer isso pintando. Bom pro DJ Binho, que herdou um monte de coisas pra pintar. E já pintou um carinha legal lá, em pouco tempo.

De qualquer forma, a música continua a tocar no meu fone sem parar. Vou fazer o desenho de Cuba e do Chevrolet de caneta mesmo e colorir no painter. Depois é só imprimir grandão, pra colocar na minha casa nova! Finalmente está ficando pronta.

Jackson Browne, um folk das antigas e muito bom. O disco inteiro é ótimo. Agradecimento especial ao Klaxon, que mais uma vez, sei que ficará mais convencido, deu uma bela dica de som.

até a próxima!